Confiança da indústria cai para menor nível desde 2009

A proporção de empresas que consideram a situação atual boa caiu de 10,8% para 8,1%, e empresas que a avaliam como fraca aumentou de 26,0% para 29,3%

São Paulo – O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 1,2% em agosto ante julho, passando de 84,4 para 83,4 pontos, informou nesta quarta-feira, 27, a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com a oitava queda consecutiva, o índice permanece no menor nível desde abril de 2009.

A queda do ICI na margem se deve principalmente à piora das avaliações dos empresários sobre o presente. O Índice da Situação Atual (ISA) caiu 3,6%, para 82,7 pontos, o menor nível desde março de 2009. Já o Índice de Expectativas (IE) registrou a primeira melhora no ano, com alta de 1,4% para, 84,1 pontos.

A maior contribuição para a queda do ISA veio do item que aponta as percepções em relação ao ambiente de negócios. O indicador de situação atual dos negócios recuou 7,1% entre julho e agosto, de 84,8 para 78,8 pontos.

A proporção de empresas que consideram a situação atual boa caiu de 10,8% para 8,1%, ao passo que a parcela de empresas que a avaliam como fraca aumentou de 26,0% para 29,3%.

No IE, a principal influência de alta foi do indicador de produção prevista. O item registrou avanço de 4,6% em agosto ante julho. Houve ligeiro aumento na proporção de empresas que preveem aumentar a produção nos três meses seguintes, de 27,6% para 27,8%, e retração da parcela das que esperam diminuir a produção, de 20,8% para 16,1%.

Em contrapartida, o indicador de situação futura dos negócios registra em agosto sua sexta queda consecutiva. A proporção de empresas prevendo melhora da situação dos negócios nos seis meses seguintes aumentou de 25,6% para 30,0% entre julho e agosto, mas a das que preveem piora aumentou ainda mais, de 20,2% para 26,5%.

A FGV também informou que entre julho e agosto o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) manteve-se estável, em 83,2%.

Segundo a FGV, a leve melhora das expectativas em relação aos próximos meses não é o bastante para sinalizar uma inversão da tendência de queda registrada neste ano.

“As previsões tornaram-se mais favoráveis para a produção, com a normalização do número de dias úteis após o fim da Copa, mas, no horizonte de seis meses, o pessimismo continua aumentando”, diz Aloisio Campelo Jr., superintendente adjunto de ciclos econômicos da FGV/IBRE.