Confiança da indústria caiu por cenário externo, diz FGV

Com expectativas de que juros fiquem mais altos, é natural que atividade não se mostre muito animada, diz superintendente-adjunto de Ciclos Econômicos da FGV

Rio – A formação de estoques e a revisão de perspectivas em relação aos países emergentes (especialmente China) e a crise argentina – que podem impactar a demanda externa – pesaram na confiança dos empresários da indústria em março.

A prévia da sondagem do setor referente a março, divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta sexta-feira, 21, apontou queda de 1,7% no índice de confiança em relação a fevereiro, já com ajuste sazonal.

“O momento de desaceleração da indústria está durando e continua com tendência negativa. Por isso, houve um aprofundamento do sentimento pessimista”, disse o superintendente-adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo. Em fevereiro, a confiança dos empresários da indústria havia apontado recuo de 1,0%.

“Há uma piora na percepção sobre o mercado externo, e a demanda interna já era ruim. Então, o câmbio melhorou no período, mas essas notícias contribuíram para a piora da confiança”, explicou.

Campelo acrescentou que, com as expectativas de que os juros fiquem ainda mais altos, é natural que a atividade não se mostre muito animada.

O superintendente lembrou ainda que a discussão sobre o risco de racionamento de energia elétrica adiciona um componente de incerteza a um cenário que já não é favorável.

“As expectativas estão fracas, então é provável que o investimento venha fraco nos próximos meses”, avaliou, lembrando que a produção da indústria vem enfraquecida desde o segundo semestre de 2013.

Na comparação sem ajuste sazonal (mês contra igual mês do ano anterior), a confiança da indústria está em queda desde julho de 2013. Em março, a prévia aponta para um recuo de 7,6% ante março do ano passado.

Nuci

Apesar dos sinais de desaceleração na indústria, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) se manteve estável em 84,6% entre janeiro e fevereiro, sendo que a prévia de março aponta para igual porcentual.

Campelo admitiu que ainda não encontrou uma explicação para essa sustentação, a despeito do ritmo mais fraco da indústria.

Uma hipótese, de acordo com o superintendente, seria a defasagem com que os investimentos realizados ficam efetivamente à disposição da linha de produção, ou seja, prontos para operar.

“Alguns desses investimentos devem entrar na produção nos próximos meses, e aí o Nuci cairia, porque o denominador fica maior”, argumentou.