Comunicação sobre poupança é desafio, diz Pochmann

Para presidente do Ipea, Mantega é o homem que mais tem dados sobre novas regras de remuneração da poupança, mas pode não ser o melhor para comunicá-las ao povo

São Paulo – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, é o homem do governo que tem o maior número de dados e informações para mostrar aos poupadores a importância e os benefícios coletivos da alteração da regra da poupança, mas pode não ser, do ponto de vista da comunicação, a melhor pessoa do governo para fazer esta interlocução com os trabalhadores. A afirmação foi feita nesta sexta-feira pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pré-candidato a prefeito de Campinas pelo PT, Márcio Pochmann, que participa do seminário Brasil 2020 – Rumos da Economia, realizado em São Paulo pela Revista Brasileiros.

Segundo Pochmann, a alteração na regra da rentabilidade da poupança é uma medida importante porque, apesar de individualmente poder transparecer que dará prejuízos ao poupador, coletivamente será bastante benéfica. Mas isso terá que ser bem explicado pelo governo. “Eu entendo que esta será uma das principais missões do governo, de apresentar uma explicação razoável e adequada para que a população entenda que esta medida é necessária do ponto de vista da trajetória do Brasil”, disse o presidente do Ipea.

Para ele, o Brasil percorreu duas décadas difíceis, em que perdeu posições em relação ao resto do mundo e até investimentos. “Essa medida tomada vai beneficiar o crescimento do País, da expansão do emprego, e é neste contexto que está a tarefa do governo de explicar para a população porque certamente haverá uma disputa política e ideológica em torno dessa medida”, afirmou o economista. Segundo Pochmann, com mais transparência e mais qualidade da informação a população vai entender as razões da medida.

Questionado pela Agência Estado se o ministro Guido Mantega seria a pessoa mais indicada para a tarefa de comunicação, o economista disse: “Na área econômica, é o que detém melhores informações para serem passadas, mas não necessariamente é o melhor comunicador para a população. E aí é uma estratégia que o governo federal deverá adotar com o melhor critério”, afirmou o presidente do Ipea.