Como o Brasil entrou (e pode sair) da maior recessão da história

Dois anos seguidos de recessão. 3 anos de queda no investimento. Queda de 11% no PIB per capita. A retomada vai acontecer?

São Paulo – É oficial: o Brasil teve dois anos seguidos de recessão, o que não acontecia desde os anos 30.

A queda do PIB foi de 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016, de acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O órgão confirmou que a queda acumulada de 7,2% é a pior pelo menos desde 1948, quando começa a série histórica.

O resultado trimestral anualizado foi o pior entre 38 países, segundo ranking divulgado hoje pela Austin Ratings.

O PIB per capita, que divide o bolo econômico pelo número de habitantes, despencou 11% desde o final de 2014.

Foram 8 trimestres seguidos de queda tanto no número final quanto em seu principal componente: o consumo das famílias.

É um reflexo da inflação alta, do crédito escasso e da eliminação de quase 3 milhões de postos de trabalho, o que ajudou a praticamente dobrar a taxa de desemprego em 2 anos, de 6,8% para 12,6%.

“O consumo cresceu demais e agora estamos vendo o reverso. Quando você tem crescimento com expansão de crédito a retomada é mais lenta porque você tem que fazer desalavancagem. Isso também vale para as empresas e para o governo”, diz Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV).

Chama a atenção, pelo lado da despesa, que o consumo do governo tenha caído apenas 1,1% em 2015 e 0,6% em 2016.

A maior reforma fiscal aprovada até agora, o teto de gastos, começa a valer só a partir deste ano, e a margem para cortes é limitada porque rubricas centrais (como Previdência) são obrigatórias por lei.

“Um dos grandes responsáveis pela crise foi o desarranjo das contas públicas e quem está ajustando é o setor privado”, resume Alberto Ramos, diretor para América Latina do Goldman Sachs.

O investimento, primeira vítima da crise mesmo antes de a recessão se confirmar, cai há 11 trimestres consecutivos.

A taxa de investimento em relação ao PIB caiu quase dois pontos percentuais só em 2016, indo de 18,1% para 16,4% – a pior da série histórica iniciada em 1996.

Otto Nogami, professor do Insper, nota que o investimento tem um efeito multiplicador e calcula que para cada 1 real investido, de 3 a 4 reais são gerados no longo prazo.

A esperança nesse quesito vem da possibilidade de um bom andamento das concessões (o governo deve anunciar um novo plano ainda hoje), mas o setor privado ainda está em compasso de espera.

“Porque o investimento iria bombar se há capacidade ociosa e incerteza politica? E ainda tem eleição ano que vem. Qualquer sinal negativo pode acabar com essa lua de mel”, diz Silvia.

No lado industrial, a recuperação dos estoques já esgotados deve contribuir para o lado da oferta, mas a construção civil, que caiu 7,5% em 2016 e tem um peso grande, ainda depende da recuperação do crédito.

Um grande alívio nesse sentido é que as projeções de inflação finalmente estão entrando no centro da meta, com o Banco Central indicando que pode acelerar o ritmo de cortes nas taxas de juros.

Os dados de confiança tem vindo mais positivos em todos os setores, e o recuo do risco-país, apreciação do real e valorização da bolsa nos últimos meses expressam otimismo no mercado financeiro.

“O comportamento dos preços das ações – sintetizado pelo Ibovespa – é, historicamente, um razoável indicador antecedente do crescimento do PIB, não somente no Brasil mas em boa parte do mundo.”, diz um relatório da LCA Consultores.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, tem uma visão positiva de 2017 a começar pela agricultura, que teve a maior queda do ano passado (-6,6%).

“Os sinais para este ano são positivos, a começar do agronegócio, que vai ter uma safra bastante forte. O impacto será bastante positivo ao longo do ano, com crescimento esperado no setor de 7,7%.”

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, destacou na manhã de hoje que os dados divulgados hoje são um “olhar no espelho retrovisor”.

Ele prevê crescimento anualizado de 3,2% no último trimestre, mas a média do ano deve ser bem mais baixa. O motivo é que um buraco tão fundo continua influenciando os dados por um tempo.

“O carry over (ou a ‘herança estatística”) de 2016 para 2017 é de -1,1% ou seja, mesmo que em todos os trimestres o crescimento seja nulo a economia em 2017 terá contração de -1,1%”, diz nota do Banco Fibra assinada pelo economista-chefe Cristiano Oliveira.

As projeções de crescimento para este ano vão de 0,4%, segundo o IBRE/FGV (que acertou o número trimestral), a 0,6% segundo o Goldman e 1% segundo a MB Associados e o Fibra.

Comentários

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  1. E ainda tem mulas que defendem o PT!!! tem que comer pão com mortadela e capim mesmo….

  2. Esta foi uma análise profundamente keynesiana da economia brasileira, ou seja, errada. Da perspectiva keneysiana o investimento público é a chave para o crescimento, o que na verdade é totalmente errado. A economia privada é o que realmente produz riqueza e esta economia deve ser livre de qualquer tipo de interferências do Estado. Os anos de PT forma os anos da expansão de crédito e estímulo à gastança. O Estado petista estimulou alguns setores da economia em detrimento dos demais, causando assim um falso desenvolvimento dos setores estimulados e um desincentivo ao crescimento dos demais. Ao mesmo tempo o incentivo ao consumo descapitalizou a economia, ou seja, reduziu a poupança e consequentemente o capital disponível para investimento em setores realmente demandados pela população. O Brasil não possui um capitalismo de livre mercado, o Brasil é um Estado intervencionista nos moldes de Keynes com um governo socialista marxista, em outras palavras, o Brasil é um Estado de planificação central associado a um capitalismo crônico corporativista. O verdadeiro capitalismo, justo do ponto de vista da igualdade de direitos e deveres, e baseado no mérito daquele que melhor atende os anseios do consumidor, é o capitalismo de livre mercado onde o Estado está ausente. Infelizmente, as universidades brasileiras formam apenas economistas marxistas, ou keynesianos. A economia brasileira é vista por economistas de mente estreita que se baseiam na crença de que o Estado é o único capaz de produzir soluções e que então suas mãos devem estar em tudo, desde a economia, passando pela educação centralizada e pública, e chegando às regras de convívio social. Esta questão dos ciclos econômicos de expansão e retração só deixará de existir no Brasil quando o Estado se tornar mínimo e o Brasil realmente tiver uma economia de livre mercado. Lamentavelmente, não é o que se pode esperar de um país onde os economistas não conhecem um mínimo da Escola Austríaca de Economia de onde vem gênios como Ludwig von Mises, Hayek, Rothbard, Milton Friedman, Carl Menger, Thomas Sowell, entre outros.

  3. A questão não é sair da recessão, desta sairemos em breve, a questão é se esse chiqueiro voltará a crescer.

  4. Banânia (ou república das bananas) sempre foi, é e será desta forma: um Estado gigantesco, mastodôntico, ineficiente, caro e completamente alheio à realidade a sua volta. Drena recursos do setor privado, dos contribuintes e de todos aqueles que produzem e consomem e porque? Porque o brasileiro quer mais Estado na vida deles. Todos querem uma mamatinha. Quem está fora então, não vê a hora de entrar e relaxar na estabilidade do emprego, na falta de cobrança, na segurança de uma aposentadoria garantida. Claro, por que não? Se uns poucos milhões já desfrutam por que uns poucos mais não podem? Sem falar no dinheiro público, dinheiro fácil, sem dono que rega o quintal de uns poucos que se sobressaíram da vala comum do funcionalismo sob o véu de obras faraônicas fadadas ao abandono e com as benções de um judiciário completamente inoperante, lento e burocrático. A realidade é que ninguém de fato quer esta mudança. A prova está aí: ano após anos, milhares tentam entrar num sistema que funciona muito bem a mais de 500 anos e não dá nenhum sinal que vai mudar. O país sempre foi, é e será sempre esta preguiçosa podridão deitada na lama. Pelo menos até implantarem uma guilhotina começando pelo planalto central. Se a França o fez, porque não daria certo por aqui? Mas a preguiça dos trópicos, a cerveja barata, o carnaval, os infindáveis torneiros futebolísticos e o BBB tiram toda a vontade de se tomar qualquer atitude séria. Melhor esperar por um salvador da pátria, quem quer que seja ele.

  5. Banânia (ou república das bananas) sempre foi, é e será desta forma: um Estado gigantesco, mastodôntico, ineficiente, caro e completamente alheio à realidade a sua volta. Drena recursos do setor privado, dos contribuintes e de todos aqueles que produzem e consomem e porque? Porque o brasileiro quer mais Estado na vida deles. Todos querem uma mamatinha. Quem está fora então, não vê a hora de entrar e relaxar na estabilidade do emprego, na falta de cobrança, na segurança de uma aposentadoria garantida. Claro, por que não? Se uns poucos milhões já desfrutam por que uns poucos mais não podem? Sem falar no dinheiro público, dinheiro fácil, sem dono que rega o quintal de uns poucos que se sobressaíram da vala comum do funcionalismo sob o véu de obras faraônicas fadadas ao abandono e com as benções de um judiciário completamente inoperante, lento e burocrático. A realidade é que ninguém de fato quer esta mudança. A prova está aí: ano após anos, milhares tentam entrar num sistema que funciona muito bem a mais de 500 anos e não dá nenhum sinal que vai mudar. O país sempre foi, é e será sempre esta preguiçosa podridão deitada na lama. Pelo menos até implantarem uma guilhotina começando pelo planalto central. Se a França o fez, porque não daria certo por aqui? Mas a preguiça dos trópicos, a cerveja barata, o carnaval, os infindáveis torneiros futebolísticos e o BBB tiram toda a vontade de se tomar qualquer atitude séria. Melhor esperar por um salvador da pátria, quem quer que seja ele…