Commodities aceleram alta do IGP-DI, diz Austin Rating

Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna avançou 0,75%, uma alta expressiva

São Paulo – O aumento de preços das matérias-primas teve participação expressiva no avanço de 0,75% do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em setembro, contra 0,61% em agosto. O IGP-DI foi anunciado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A avaliação foi feita pelo economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. O resultado ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções, entre 0,57% e 0,83%. A taxa, no entanto, ficou acima da mediana das expectativas, de 0,65%.

“Os preços das commodities foram os que tiveram as maiores influências no IGP-DI em setembro por conta da demanda externa forte e da alta do dólar”, disse, chamando a atenção para a valorização do café em grão (de 0,97% em agosto para 9,57% em setembro), da soja (de 2,69% para 5,49%) e do milho (de -3,13% para +3,33%). Além do farelo de soja (de 0,45% para 8,94%) e do minério de ferro (de 2,10% para 3,66%), esses produtos integram o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que subiu de 0,77% para 0,94% em setembro.

“São aumentos que logo podem influenciar os custos ao consumidor. Podem demorar, mas chegam. Soja e milho, por exemplo, são insumos básicos para ração animal e tendem a refletir nos preços das carnes de frango e bovina”, destacou.

Segundo o economista, é pouco provável que os preços tanto no atacado quanto no varejo deem uma trégua nos próximos meses. “Apesar da expectativa de uma crise externa desinflacionária esperada pelo Banco Central, isso não deve acontecer tão já. A demanda interna segue aquecida, temos o efeito ‘pass-through’ (repasse cambial para os preços no atacado e no varejo) e o governo também tem adotado medidas de estímulo ao consumo para manter o emprego forte”, disse.

Dentro do IGP-DI, Agostini ressaltou a alta do IPC-DI, de 0,40% em agosto para 0,50% no mês passado, puxada principalmente pelo grupo Habitação (de 0,38% para 0,65%), com destaque para aluguel residencial (de 0,72% para 0,91%). “É uma preocupação por conta do aumento de serviços e do aluguel, que estão subindo em razão dos IGPs que são os indexadores, e que não estão baixando a guarda”, observou.