Comissão impõe condições à entrada da Turquia na UE

Europeus querem limitar a circulação de turcos pelos demais países-membros da UE e nem mesmo se comprometem a fixar uma data para o início das negociações

A Comissão Européia deve recomendar nesta quarta-feira (6/10) o convite para que a Turquia, majoritariamente muçulmana, se associe à União Européia (UE). Mas, de acordo com o jornal americano The Wall Street Journal, a UE quer embutir no convite condições inéditas que podem interromper a construção de uma ponte entre ocidente e mundo islâmico. A decisão caberá aos 25 países-membros do bloco econômico, que precisam votar por unanimidade, em dezembro, pelo início de um processo negociador que deve levar uma década.

Entre as condições que devem ser apresentadas estão restrições de longo prazo à imigração turca para a Europa. O impedimento da livre movimentação de pessoas, que tem sido um dos fundamentos do mercado comum europeu, é visto como uma ofensa pela Turquia, por atingir apenas seus cidadãos. Outra clara diferença em relação a processos de admissão anteriores é que não deve ser fixada uma data para iniciar as negociações.

A omissão, diz The Wall Street Journal, pode enfurecer o governo turco (que deseja iniciar as conversas em janeiro de 2005), mas foi calculada para dar aos países europeus mais tempo para convencer o público interno dos benefícios que o novo sócio traria. Pesquisas recentes mostraram que mais da metade dos eleitores da Alemanha, Áustria e França se opõem à admissão. No último caso, o governo, antes abertamente favorável, está agora propondo um referendo popular sobre o tema.

De acordo com o jornal, a UE está sofrendo “fadiga de expansão”, depois de admitir em maio dez países, a maior parte ex-comunistas, incluindo Polônia, Hungria e República Tcheca. Os críticos também apontam para os custos da integração da Turquia. Um relatório da comissão calculou serem necessários 28 bilhões de euros por ano a título de ajuda a fundo perdido.

Associar a população turca, com 71 milhões de pessoas, ao maior bloco comercial do mundo representaria um dos mais importantes momentos da história da UE, quase cinqüentenária. Enquanto os Estados Unidos promovem a polarização entre Ocidente e o mundo islâmico ao invadir o Iraque, a Europa poderia dar um exemplo ao mundo de harmonia entre civilizações através da inclusão econômica. Mas a dificuldade para até mesmo iniciar as negociações revela que construir esse modelo para o mundo não é nada fácil.