Comércio reduz intenção de contratar em 9,3%, diz CNC

Segundo a CNC, diante de uma expectativa de vendas mornas no ano, o empresário não vê necessidade de ampliar o quadro de funcionários

Rio – Os empresários do comércio reduziram em 9,3% em novembro na comparação com o mesmo mês de 2013 a intenção de contratar novos funcionários, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Na comparação com outubro deste ano também houve recuo, de -0,5%, dentro do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec).

Segundo a CNC, diante de uma expectativa de vendas mornas no ano, o empresário não vê necessidade de ampliar o quadro de funcionários.

A entidade estima que as vendas no Natal deste ano cresçam 2,3%, o pior resultado da década. No mesmo período do ano passado, o volume vendido aumentou 5,1%.

“A confiança do empresário do comércio caiu por conta da decepção com a economia e do desapontamento com o menor crescimento do varejo”, justificou Fábio Bentes, economista da CNC.

O órgão prevê que o varejo contrate 137 mil empregados em 2014.

“Ou seja, o varejo vai gerar a metade das vagas criadas no setor no ano passado. Em 2013, foram abertas 263 mil vagas”, apontou Bentes.

O economista lembrou ainda que, historicamente, 40% a 50% das vagas criadas no setor a cada ano são referentes a empregos temporários, que são extintos logo no início do ano seguinte.

“Este ano, quase 100% das vagas serão temporárias. Você sabe que o empregador vai se desfazer delas no início do ano que vem”, alertou Bentes.

O Icec de novembro trouxe uma queda de 0,8% na intenção de investimentos na passagem de outubro para novembro. Em relação a novembro de 2013, o recuo foi de 9,2%.

Além da menor intenção de aumentar o quadro de empregados, também houve deterioração nas expectativas de investimentos na empresa (-1,3% em novembro ante outubro, e -12,5% ante novembro de 2013) e nos estoques (-0,9% ante outubro, e -5,1% ante novembro de 2013).

Um dos empecilhos é o aumento na taxa básica de juros, que subiu de 11,25% para 11,75% ao ano, por decisão anunciada ontem pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central.

“Os juros ao consumidor já estão no nível mais alto desde 2011, quando o BC reformulou a série estatística. Nós sabemos que ainda vão subir em 2015. Os juros do crédito livre para pessoa jurídica também estão no maior patamar desde fevereiro de 2012. Então a intenção de investimento no setor não vai melhorar”, concluiu Bentes.