Com novo corte, Brasil deixa de ter maiores juros reais do mundo

O Brasil está agora em segundo lugar mundial em juros reais de 4,30% atrás da Rússia com 4,57% e seguido por Turquia com 3,63%.

São Paulo – O Brasil perdeu a sua liderança entre os maiores juros reais (juros nominais menos inflação) do mundo.

O Copom promoveu hoje o segundo corte consecutivo de 1 ponto percentual na Selic, que foi de 11,25% para 10,25%.

A conclusão é de um estudo realizado a cada reunião pelo site MoneYou com a Infinity Asset Management, mas que acaba de mudar sua metodologia após discussões com o Banco Central.

O ranking passou a adotar a taxa de juros referencial do dia, como o Swap DI Pré de 1 Ano, por considerar que ela exprime melhor os juros de uma operação real de mercado do que o referencial das taxas nominais aplicadas pela Selic.

Além disso, o ranking abandonou o uso da inflação passada dos últimos 12 meses (ex post) e passou a usar a inflação projetada para os 12 meses seguintes (ex ante).

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, vinha enfatizando que a medida ex-ante era mais adequada pois é a que mais influencia as decisões econômicas. A mudança no método favorece países onde a inflação está em queda livre.

No entanto, o Brasil seguia líder até pelo menos abril mesmo se fosse considerado esse tipo de cálculo: tinha 6,36%, seguido da Rússia com 5,12%.

Pela conta nova, o Brasil está agora em segundo lugar mundial em juros reais com 4,30% atrás da Rússia com 4,57% e seguido por Turquia com 3,63%.

Nos últimos lugares do ranking estão países com juros reais negativos como Espanha (2,29%), Reino Unido (-2,37%) e Bélgica (-2,48%).

A Venezuela foi excluída por falta de dados confiáveis e a Nova Zelândia foi incluída por sua importância regional.

Veja a taxa de juros reais (juro atual menos inflação dos próximos 12 meses) das 40 economias analisadas:

Taxa
Rússia 4,57%
Brasil 4,30%
Turquia 3,63%
Indonésia 3,36%
Colômbia 2,57%
México 1,96%
Índia 1,67%
China 1,56%
África do Sul 1,22%
Argentina 0,73%
Tailândia 0,13%
Singapura 0,12%
Nova Zelândia 0,11%
Malásia -0,07%
Chile -0,13%
Polônia -0,23%
Filipinas -0,31%
Austrália -0,41%
Japão -0,56%
Israel -0,58%
Canadá -0,97%
Coreia do Sul -1,01%
Hong Kong -1,05%
Suíça -1,06%
Dinamarca -1,24%
Taiwan -1,28%
Grécia -1,32%
Estados Unidos -1,39%
Portugal -1,52%
França -1,52%
Itália -1,61%
Holanda -1,71%
República Tcheca -1,89%
Alemanha -1,90%
Áustria -2,00%
Suécia -2,04%
Hungria -2,26%
Espanha -2,29%
Reino Unido -2,37%
Bélgica -2,48%
Média geral -0,20%

 

Comentários

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  1. Jorge Almada

    Redução da Taxa Selic tem pouca influência sobre os Juros aplicados no COMÉRCiO e pelos BANCOS. Vejam se o governo estivesse mesmo interessado no AUMENTO DO CONSUMO daria exemplo ao mercado financeiro reduzindo os JUROS DOS BANCOS PÚBLICOS, BANCO DO BRASIL E CAIXA ECONOMICA FEDERAL. Atualmente os juros MENSAIS para empréstimos PESSOAIS estão próximo de 5% ao mês, para uma inflação prevista para 4,5 % ao ano.

  2. Marcella Guerreiro

    Mas é justamente a Selic que baliza os juros aplicados pelos bancos! Essa queda fará com que comecem a cortar taxas para expandir o crédito ao consumidor agora que está menos lucrativo emprestar ao governo. Ainda que de maneira gradual, essa diminuição chegará no consumidor sim.