Com greves e protestos, Macron apela à televisão para defender reformas

ÀS SETE - Sua aparição, marcada para a tarde de hoje, vai na contramão de seus hábitos, já que costuma se comunicar com a população via redes sociais

O presidente francês Emmanuel Macron vai à televisão, nesta quinta-feira, para dar satisfação sobre suas propostas de reforma e de privatização da companhia ferroviária francesa SNFC.

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Sua aparição, marcada para a tarde de hoje, vai na contramão de seus hábitos, já que costuma se comunicar com a população via redes sociais. Acontece que o assunto e as críticas a seu governo exigem um meio de comunicação mais popular.

O presidente, criticado pela oposição por ser um líder “dos ricos”, pretende conversar com a população rural e com os aposentados. Ir à TV defender reformas é uma estratégia que já foi usada em outras oportunidades na França, como em 1995, com o então presidente  Jacques Chirac.

A França tem enfrentado grandes paralisações desde a semana passada, quando funcionários da empresa ferroviária anunciaram o início de uma greve contra uma proposta de privatização.

Com dívidas que somam 100 bilhões de euros, a SNFC viu sua estrutura abalada quando a agenda reformista do presidente Emmanuel Macron propôs o fim do emprego vitalício aos seus funcionários e sua transformação em sociedade anônima.

Funcionários de companhias aéreas francesas, coletores de lixo, da Federação Nacional de Minas e Energia e estudantes universitários também foram às ruas protestar contra o presidente francês.

Durante a primeira semana de greve, somente 12% da frota estava em circulação. Cerca de 33% dos funcionários aderiram ao movimento, afetando toda a malha de transporte do país. A estratégia é manter a greve alguns dias por semana ao longo de meses.

Macron pretende responder às críticas e paralisações reafirmando seu plano de campanha, de reformar diversos setores e diminuir as altas taxas de desemprego do país: 9,2%, registrado em dezembro do ano passado.

Especialistas afirmam que há chances de que as duas aparições sejam um completo fracasso, uma vez que o tema da privatização é complexo, e os resultados das reformas, difuso.

Em seu primeiro ano no cargo Macron ficou conhecido por usar sua ampla maioria no Congresso para aprovar reformas a toques de caixa, sem necessidade de grandes explicações e negociações.

A estratégia é elogiada por quem defende há anos reformas que destravem a economia francesa, mas não tem a mesma receptividade nas ruas.

Uma pesquisa realizada neste mês mostrou que o nível de aprovação de seu governo caiu quase 3 pontos percentuais, atingindo 39%, mesma aprovação que a primeira-ministra britânica Theresa May possui em pleno controverso processo de separação da União Europeia.