CNC prevê que comércio terá queda de 8% em 2016

"O impeachment para gente é esperança para se renovar a economia por meio de mudanças", explica Darci Piana

São Paulo – O vice-presidente administrativo da Confederação Nacional de Comércio, Bens e Serviços (CNC), Darci Piana, estima que o comércio nacional tenha uma nova queda de vendas neste ano ante 2015.

“No ano passado, na comparação com 2014, as vendas recuaram 9%. Neste primeiro trimestre, houve queda de 4% e a tendência é cair mais. Para 2016, acho que teremos uma retração de 8% a 9%, com acréscimo de juros e de inadimplência”, disse.

Ele destacou a queda do desempenho das vendas dos segmentos de farmácia e supermercados. “O movimento só mostra que o poder de compra do consumidor está sendo corroído pela inflação alta, endividamento e pela deterioração do mercado de trabalho”, afirmou.

Piana, que também é presidente da FecomercioPR, afirmou que a crise política, econômica e de ética tem trazido dificuldades enormes para o comércio, principalmente de “esperança” da recuperação de um equilíbrio na economia.

“O impeachment para gente é esperança para se renovar a economia por meio de mudanças. Sabemos que todas as medidas serão amargas, mas vamos superar mesmo que haja muito tempo pela frente para recuperar o que perdemos”, disse.

Ele relatou que, há 20 dias, o vice-presidente da República, Michel Temer, foi ao Paraná e se reuniu com as sete instituições mais representativas do Estado, inclusive a FecomercioPR.

“Temer seria uma solução imediata. Mas ainda não é toda a solução. Quem consegue comandar um partido do tamanho do PMDB consegue dar um equilíbrio na condução do País”, declarou.

Piana ponderou que é necessário esperar como andará o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado.

Câmbio

Piana disse que, no passado, antes da valorização do dólar ante o real, 28% a 30% do que o comércio brasileiro vendia eram itens importados.

“Esse porcentual diminuiu bem, e, se o câmbio continuar desvalorizado, menor será”, informou. Embora para o comércio ainda não seja ideal, o executivo disse que uma taxa de câmbio a R$ 3,70 seria boa para manter as exportações e o equilíbrio de preços internos.

O executivo participou do 7º Encontro Nacional de Comércio Exterior de Serviços (ENAServ2016), promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e a FecomercioSP.