China nega que abertura econômica mira disputa comercial com EUA

O país negou que o presidente tenha feito concessões aos americanos quando anunciou planos de reduzir tarifas sobre importações de carros e outros produtos

Pequim – O governo da China negou hoje que a recente promessa do presidente Xi Jinping de abrir ainda mais o mercado chinês tivesse como objetivo resolver a atual disputa comercial com Washington e ressaltou que é impossível negociar “sob coerção unilateral” dos EUA.

Um porta-voz do Ministério de Comércio chinês, Gao Feng, alegou que o governo americano não tem “mostrado sinceridade”, segundo a agência de notícias oficial Xinhua. Gao disse ainda que China e EUA ainda não deram início a negociações.

Gao reiterou queixas de que o presidente dos EUA, Donald Trump, agiu de forma inapropriada ao responder ao protesto de Pequim por seu plano de aplicar tarifas a US$ 50 bilhões em produtos chineses com uma ameaça de que poderia adicionar outros US$ 100 bilhões de importações à lista.

“Sob coerção unilateral, é impossível para o lado chinês conduzir quaisquer negociações”, disse Gao, de acordo com relato da Xinhua.

Trump recentemente anunciou planos de tarifar US$ 50 bilhões em bens chineses, em protesto à suposta prática de Pequim de pressionar empresas americanas a transferir tecnologia a parceiras de joint ventures na China. Em retaliação, o governo chinês também ameaçou impor tarifas a US$ 50 bilhões em produtos americanos se Washington for adiante com seu plano.

Gao negou que o presidente Xi tenha feito concessões a Washington quando anunciou, na última terça-feira (10), planos de reduzir tarifas sobre importações de carros, relaxar restrições a capital estrangeiro na indústria automotiva chinesa e adotar outras medidas de abertura. Xi falou durante discurso em um fórum de líderes políticos e empresariais.

Na ocasião, a fala de Xi impulsionou as bolsas globais ao alimentar esperanças de que Pequim e Washington superem suas desavenças comerciais por meio do diálogo.

“As medidas de maior abertura anunciadas pela China…não têm nada a ver com os atritos entre chineses e americanos”, afirmou Gao. Fonte: Associated Press.