Cepal: valor de exportações latino-americanas cairá 14%

O valor das exportações de América Latina e Caribe diminuirá pelo terceiro ano consecutivo em 2015 e encolherá 14%, segundo a Cepal

México – O valor das exportações de América Latina e Caribe diminuirá pelo terceiro ano consecutivo em 2015 e encolherá 14%, o pior desempenho nas últimas oito décadas, afirmou nesta terça-feira a Cepal.

“As fortes quedas nos preços das matérias-primas e uma menor demanda internacional pelos produtos que a região exporta são os principais fatores para a redução das exportações latino-americanas”, diz o relatório que a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) apresentou na Cidade do México.

A isso se soma a falta de investimentos em novas tecnologias e infraestrutura na região, assim como uma agilização ainda pendente em seus processos de produção.

A queda de 14% no valor das exportações latino-americanas estimada para 2015 se junta {=às contrações de 3% e 0,4% registradas em 2014 e 2013 respectivamente, revelando um triênio com o “pior desempenho exportador da região em oito décadas”, diz o relatório.

“Isso revela que não é um fenômeno conjuntural”, afirmou Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal.

Segundo a Cepal, o volume das exportações latino-americanas crescerá somente 1% em 2015 enquanto seus preços cairão 15%.

“A região está em uma encruzilhada: ou segue no caminho atual, restrito pelo contexto global, ou se compromete com uma inserção internacional mais ativa que privilegie a política industrial, a diversificação, a facilitação do comércio e a integração intra-regional”, opinou Bárcena.

A Cepal aponta que a queda no valor das exportações e a deterioração dos termos de troca serão mais agudos nos países exportadores de petróleo e matérias primas: a Venezuela registrará uma queda de 41%, a Bolívia de 30%, a Colômbia de 29% e o Brasil de 15%.

Em contraste, México e América Central, cujo principal destino é os Estados Unidos, terão uma redução de 4% em seu valor pelo alto componente de manufaturados, que não sofreram quedas de preços tão abruptas.

As importações também refletem um panorama pessimista, pois a Cepal espera para 2015 um recuo médio de 10% na região.