Centenários serão bomba-relógio para aposentadoria em 6 países

"A expectativa de se aposentar no começo ou no meio dos seus 60 anos provavelmente será algo do passado ou um privilégio dos muito ricos", diz relatório

São Paulo – Enquanto o Brasil discute uma reforma da Previdência para equalizar o seu sistema de aposentadorias, países desenvolvidos aguardam um futuro ainda mais desafiador nessa área.

400 trilhões de dólares, ou mais de 5 vezes o tamanho da economia global inteira, será o rombo total da Previdência em 2050 considerando apenas 8 grandes economias.

Elas são, em ordem de rombo previsto: Estados Unidos, China, Índia, Reino Unido, Japão, Canadá, Austrália e Holanda.

O cálculo é da diferença entre os recursos direcionados para o sistema e o montante necessário para que os aposentados mantenham pelo menos 70% da renda de quando trabalhavam.

O rombo atual nessas economias é estimado hoje em US$ 70 trilhões, mas deve crescer a uma taxa de 5% por ano (ou US$ 28 bilhões por dia) ao longo das próximas décadas.

Esta verdadeira “bomba-relógio” foi apontada por um relatório recente do Fórum Econômico Mundial e tem um motivo simples: a população está envelhecendo, e rápido.

“A alta prevista na longevidade e as populações envelhecidas resultantes são o equivalente financeiro das mudanças climáticas”, escreve Michael Drexler, diretor de sistemas financeiros e de infraestrutura do Fórum.

A expectativa de vida sobe um ano a cada cinco anos, em média, e uma boa parte dos bebês nascidos hoje nestes países pode esperar viver mais do que 100 anos, segundo as estimativas (otimistas) do Fórum.

Se a idade mínima para aposentadoria não mudar, isso significa que a taxa de dependência (proporção entre trabalhadores e aposentados) cai de 8:1 atualmente para 4:1 em 2050.

“Uma implicação óbvia de vivermos mais é que teremos que passar mais tempo trabalhando. A expectativa de se aposentar no começo ou no meio dos seus 60 anos provavelmente será algo do passado ou um privilégio dos muito ricos”, diz o texto.

A reforma da Previdência atualmente em tramitação no Congresso brasileiro estabelece uma idade mínima de aposentadoria, algo que a imensa maioria dos países já tem.

Ela começará em 53 anos para mulheres e 55 anos para os homens e será elevada gradativamente para 62 anos, no caso das mulheres (até 2036), e 65 anos, no caso dos homens (até 2038).

De acordo com o relatório do Fórum, os sistemas atuais de Previdência são mal equipados para o desafio do envelhecimento por várias razões.

Quem trabalha por conta própria ou está na informalidade costuma ficar de fora do sistema: na Índia, onde 9 a cada 10 trabalhadores estão nessa categoria, isso é uma barreira estrutural.

O percentual poupado para a velhice também não é suficiente, e mesmo quando esse dinheiro é aplicado, o retorno de longo prazo têm sido menor do que o esperado.

E na medida que as sociedades enriquecem, cresce também a expectativa da sua renda no final da vida.

Algumas das sugestões do Fórum para amenizar o problema são aumentar as idades mínimas de aposentadoria e melhorar tanto a educação financeira quanto os incentivos de forma que a população consiga poupar mais para a própria aposentadoria.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Wagner Martins

    O título da reportagem já é um absurdo em si. Culpar idosos pela possibilidade de haver algum deficit na previdência é concluir que ninguém deveria viver tanto. Quantas análises colocam a corrupção, a má gestão, a isenção fiscal, sonegação fiscal no centro das discussões? Ninguém quer dar se ao trabalho de ser racional e lógico. Mais fácil é culpar quem recebe.

  2. Fernando Becker

    Muito bem colocado Wagner. Viver muito deveria ser motivo de orgulho e não de culpa.

  3. Roberto Brant

    O “grupo abril” – em minúsculo mesmo, pois nao merece o reconhecimento MORAL de ser digitado com as iniciais em maiúsculo – é ordinário… VAGABUNDO MESMO! Esse jornalismo de zilionesima categoria nao merece nem o desprezo… Vocês “jornalistas” desse grupelho sao escória do Brasil; quando nao lambem o s*** dos Estados Unidos(ou de QUALQUER outro país do “primeiro mundo”)rebaixam o povo brasileiro ao nível de sub-raça.

  4. Pedro Alex Martins Tavares

    Nao deixem o Temer e o meireles lerem isso…por favor.

  5. Marcos Cohen

    Matéria tendenciosa! O problema não é a reforma mas sua elaboração e conteúdo. Antes de tudo uma auditoria independente, seguida da cobrança aos devedores e fim das isenções fiscais. Conteúdo igual para todos, e fim de benefícios para o funcionalismo público assim como o setor privado financiar rurais. Para terminar, uma fórmula simples, condensada em uma frase, nada mais. Tudo o que não fizeram até agora, lembrando que o montante da corrupção no Brasil equivale ao deficit da previdência.

  6. Luis Carlos Magalhaes Pinto

    Só duas palavras.,o problema é que nesses países citados os aposentados recebem salários dignos,aqui no Brasil o salário é de fome,o aposentado aqui não vive vegeta com 300 dólares de real,como um salário desse vai gerar rombo,aqui isso é balela.o rico ficando + rico e o pobre + pobre.

  7. ViP Berbigao

    hehehe…. a redação parece ter as digitais deles na verdade.. heheh

  8. Oswaldo Nilo Dos Santos

    Pessoas sem educação,não sabem fazer um comentário sem xinga ou ofende ninguém,odeiam tanto a Exame,mas continuam lendo suas publicações, não sabem fazer contas,é simples o dinheiro que é pago com as aposentadorias é inferior ao recursos arrecadados pra pagar as mesma,é um problema que querendo ou não gostando todo mundo terá que debater, e encontrar uma solução

  9. Bruno Cabral Peixoto

    ERRADO, no Japão e nos EUA, o salário de aposentado mal dá pra sobreviver. Japão pior ainda.

  10. Bruno Cabral Peixoto

    Em quase todos os países que adotam o modelo atual, aposentadoria é uma BOMBA relógio, mesmo nos MENOS corruptos.

  11. Bruno Cabral Peixoto

    Exatamente, mas os SONHADORES ai adoram viver em “Alice no País das Maravilhas”.

  12. O brasileiro, notadamente o servidor público, insiste em não aceitar a matemática.