Casos de crescimento econômico sustentado são raros, diz Bird

<EM>Relatório avaliando a década de 90 afirma que uma</EM><SPAN> <EM>das</EM> </SPAN><EM>lições é a necessidade de implantação de reformas complementares pró-crescimento</EM>

A América Latina promoveu sistematicamente durante os anos 90 reformas econômicas, mas colheu crescimento econômico errático. Essa é uma das conclusões de relatório do Banco Mundial (Bird) avaliando as lições da década passada e as perspectivas de crescimento para os próximos anos. “Há muitos casos de episódios de crescimento, com dois a três anos de avanço de 5% a 6% do PIB [Produto Interno Bruto]”, diz Robert Zagha, economista do Bird. “Mas a freqüência de crescimento sustentado por mais de duas décadas é baixa.” Dentre 160 países em desenvolvimento, apenas 18 conseguiram isso, diz o economista.

Além da combinação de fortes ajustes macroeconômicos com crescimento altamente variável, Vinod Thomas, vice-presidente do Bird, aponta como características da década passada a ampla abertura do comércio exterior e um retrocesso na área ambiental. Os economistas do Bird apontam deficiências de avaliação nestes dois casos. Para Zagha, falta a compreensão de que abertura e integração na economia global não se limitam à redução de tarifas. Thomas alerta que não se dá atenção ao problema do desmatamento na Amazônia, por exemplo, como um futuro inibidor do crescimento sustentado.

Outro gargalo é o déficit de educação para o aumento da produtividade. Os indicadores da América Latina para investimentos em educação, tecnologia e incremento da produtividade ficam, todos eles, abaixo da média mundial. “Na década de 90 o Brasil esteve entre os cinco países do mundo com maior avanço quantitativo em educação, mais ainda deve em termos qualitativos”, diz Thomas.

Apesar dos problemas, o Brasil teria melhor potencial de desenvolvimento do que outros países grandes como a Índia – com déficit fiscal na casa do 10%. “Todas as medidas para o Brasil consolidar o crescimento estão nas mãos do governo”, afirma Thomas. Para a instituição, as lições da história recente podem ser agrupadas em três recomendações: estabelecimento de um quadro institucional com credibilidade e flexibilidade para operar as políticas monetária e fiscal, prevenção das fragilidades macroeconômicas e implantação de reformas complementares pró-crescimento. Zagha explica o quesito flexibilidade: “Observando os casos de sucesso, percebemos que não há fórmula rígida de desenvolvimento. Há muito pouco em comum entre Chile, Vietnã, Índia e China.” Em sua avaliação, cabe aos formuladores da política econômica focalizar nas restrições ao crescimento que realmente importam, e não seguir modelos predeterminados.