Canadá e EUA acertam novo Nafta aos 45 do segundo tempo

Anúncio foi feito na noite de ontem, horas antes do prazo final; aliados de Trump celebraram "habilidade de Trump" para conseguir negociações

Os Estados Unidos e o Canadá chegaram a um acordo para renovar o Nafta, o tratado de livre comércio da América do Norte, na noite deste domingo, horas antes do prazo final estabelecido para uma revisão. Segundo o jornal Wall Street Journal, a revisão foi “dramática”, levantando uma nova leva de incertezas sobre o acordo comercial em vigor há 25 anos entre os dois países e o México.

Em agosto, o México já havia anunciado um acerto com os Estados Unidos, o que colocou pressão extra sobre os negociadores canadenses. O acordo, porém, parecia improvável, já que quatro dias atrás representantes do governo americano afirmaram ao Congresso que as lacunas entre os dois países pareciam grandes demais para serem resolvidas. Uma cerimônia de assinatura do novo Nafta está prevista para novembro entre os presidentes dos três países: o americano Donald Trump, o canadense Justin Trudeau e o Mexicano Enrique Peña Nieto.

O Nafta 2.0, como está sendo chamado o novo acordo comercial, deve ter mudanças sobretudo na fabricação de automóveis, com maior obrigação de uma fatia maior de veículos ser fabricada nos Estados Unidos. O novo Nafta também traz atualizações para incluir serviços financeiros e negócios digitais.

Aliados de Trump celebraram o acordo, afirmando que ele mostra a habilidade do presidente de conseguir negociações após suas conhecidas levas de ameaças. O México é alvo frequente da verborragia presidencial, por conta de seu superávit comercial de 68 bilhões de dólares com os Estados Unidos, e da imigração na fronteira. O presidente estava precisando de boas notícias em meio à enxurrada de incertezas abertas com a nomeação do juiz Brett Kavanaugh para a Suprema Corte.

O novo acordo também vem em boa hora para o canadense Trudeau, que vem enfrentando cada vez mais críticas internas apesar de sua ótima imagem internacional. Para o México, a assinatura deve marcar uma saída honrosa para Peña Nieto, e é um alívio para o próximo presidente, Andrés Manuel López Obrador, que assume o país em dezembro. Agora, Obrador terá apenas uma espada sobre a cabeça nas relações internacionais. Mas é uma espada daquelas: o muro na fronteira.