Brics abordarão fim de estímulos do Fed somente em outubro

O grupo dos Brics discutirá em outubro as medidas a serem tomadas caso os Estados Unidos ponham fim aos estímulos monetários

São Petersburgo – O grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) discutirá em outubro as medidas a serem tomadas caso os Estados Unidos ponham fim aos estímulos monetários, anunciou nesta quinta-feira na cúpula de líderes do G20 a funcionária russa Kseniya Yudayeva.

O anúncio do Federal Reserve (Fed) dos EUA sobre sua intenção de pôr fim ao programa de flexibilização quantitativa, uma medida usada por alguns bancos centrais para injetar dinheiro na economia e estimular seu crescimento, chegou à cúpula como o tema que mais preocupante em relação às economias emergentes.

As economias em desenvolvimento, principalmente as agrupadas no Brics, temem que o fim destes estímulos cause uma forte fuga de capitais especulativos de seus países, fato que poderia se agravar por causa de uma virtual valorização do preço do dólar.

“Não acordamos medidas concretas. Acho que é algo que deve ser abordado pelos ministros das Finanças em seu encontro em outubro, principalmente se levarmos em consideração que teremos mais claro quais são os riscos econômicos”, afirmou Kseniya em entrevista coletiva.

A funcionária russa precisou que os Brics, cujos cinco líderes se reunirão hoje em uma cúpula paralela dentro de G20, devem avaliar se a forte desvalorização de suas moedas se deve unicamente ao anúncio do Federal Reserve ou se também pode ser atribuída a outros fatores – como a fraqueza de suas balanças de pagamento nacionais, por exemplo.

Às vésperas da reunião internacional de São Petersburgo, Brasil, China e África do Sul foram os países do Brics que mais insistiram em debater os efeitos negativos que poderia ter – e, de fato, já tem – a previsível mudança na política monetária dos Estados Unidos.

No entanto, Kseniya ressaltou que este assunto deveria ser tratado na reunião de trabalho de ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais, a qual será realizada em outubro em Washington.

“Os líderes (do G20) podem enviar uma mensagem, mas este tema necessita ser estudado”, finalizou a funcionária russa.