Brexit sem acordo fará libra despencar e inflação disparar, diz BC

A saída do Reino Unido da UE sem um acordo e um período de transição, traria a desvalorização de até 25% da libra esterlina e faria a inflação disparar 6,5%

Londres – Um Brexit sem acordo e sem um período de transição para negociar as futuras relações comerciais entre Reino Unido e União Europeia provocaria uma desvalorização de até 25% da libra esterlina e faria a inflação disparar 6,5%.

As projeções estão em uma análise divulgada nesta quarta-feira pelo Banco da Inglaterra, o banco central britânico. Segundo a instituição, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido cairia 8% até 2023, o índice desemprego subiria para 7,5% e os preços dos imóveis na região teriam uma queda de cerca de 30%.

A análise sobre os impactos do Brexit na economia foi feita a pedido da Comissão do Tesouro na Câmara dos Comuns. No próximo dia 11 de dezembro, os deputados britânicos votarão o acordo firmado pela primeira-ministra, Theresa May, com o Conselho Europeu.

Como o pacto não estabelece os termos da futura relação comercial entre britânicos e europeus, o Banco da Inglaterra considerou vários cenários para fazer os cálculos solicitados pelos parlamentares.

Caso o Reino Unido consiga uma associação econômica “estreita” com a UE, o PIB subiria 1,75% ao longo dos próximos cinco anos. Porém, se as relações comerciais forem menos próximas entre as partes, a previsão é de uma queda do PIB de 0,7% no mesmo período.

O diretor do Banco da Inglaterra, o canadense Mark Carney, afirmou que a instituição adotará as “medidas necessárias” para estabilizar a economia britânica qualquer seja a opção do Brexit, previsto para se concretizar no próximo dia 29 de março.

Segundo o banco central, uma menor abertura na relação comercial entre Reino Unido e UE terá como efeito a “redução da capacidade econômica do país”, tendo impacto no crescimento em curto prazo.

“As consequências econômicas do Brexit a longo prazo dependerão da natureza das relações comerciais futuras do Reino Unido”, explica o Banco da Inglaterra no relatório, condicionando as projeções ao resultado das negociações sobre o período de transição caso haja um acordo entre as partes para o Brexit.