Os 5 cenários possíveis no aniversário de um ano do Brexit

Parlamento dividido deixa governo britânico ainda mais fraco diante dos europeus, pavimentando o caminho para uma saída traumática do bloco

São Paulo – Há exatamente um ano, os britânicos decidiram deixar a União Europeia por uma margem menor do que três pontos percentuais: 51,8% contra 48,1%.

Mas o processo do chamado Brexit só começou mesmo em março deste ano, quando foi ativado o artigo 50 que dispara dois anos de negociações para definir os termos de saída.

Um mês depois, a primeira-ministra Theresa May convocou uma eleição surpresa para consolidar seu controle no Parlamento e com isso ganhar força na negociação com os europeus.

Mas o tiro saiu pela culatra: seu partido (Conservadores) despencou nas pesquisas e perdeu a maioria, deixando o governo de May por um fio.

O banco francês Société Générale publicou recentemente sua visão dos 5 cenários mais possíveis para o Brexit nas circunstâncias atuais. Veja quais são eles:

CENÁRIO #1: Brexit duro (70% de chance)

Para grande parte dos britânicos, a questão chave no Brexit não foi o comércio, mas a imigração.

O restabelecimento do controle nas fronteiras aparece no manifesto dos dois grandes partidos, que juntos conseguiram 82% dos votos na eleição.

E sem o livre fluxo de pessoas, não há como ficar no mercado único europeu. Os britânicos também querem a prerrogativa de definir suas próprias tarifas e negociar acordos com outros países, o que por definição inviabiliza uma união alfandegária completa com os europeus.

Segundo a estimativa do SG, sair do mercado comum causaria uma perda anual de 0,5% do PIB britânico ao longo de uma década.

CENÁRIO #2: Brexit suave (15% de chance)

Esta seria a opção “Noruega”, país que tem acesso ao mercado comum europeu sem participar da união alfandegária.

Os bens exportados (com exceção de comida) não pagam tarifas, mas sua origem precisa ser 100% norueguesa: um carro com componentes estrangeiros, por exemplo, já é taxado.

O acordo não é tão bom quanto parece, porque a Noruega precisa atuar em várias dimensões como membro da UE, incorporando leis do bloco e contribuindo para seu financiamento, porém sem o poder de voto que um membro tem.

Este dificilmente seria um acordo bem-visto pelos britânicos. Uma das possibilidades é uma fase de transição, com os britânicos ficando nesta categoria até que os detalhes fossem negociados.

CENÁRIO #3: Beira do penhasco (10% de chance)

May disse em janeiro que “nenhum acordo é melhor do que um acordo ruim”, mas isso significaria voltar para as regulações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e perder qualquer acesso privilegiado.

“Não há nada pior do que voltar para as regras da OMC. Isso de “nenhum acordo é melhor que acordo ruim” é por razões políticas domésticas”, disse Steve Woolcock, professor na London School of Economics que está ajudando a preparar negociadores, em entrevista em abril para EXAME 

CENÁRIO #4: Nada de Brexit (4% de chance)

Pode ser que ao longo da negociação, fique claro que o acordo possível entre Reino Unido e UE é extremamente prejudicial para os britânicos, podendo ser rejeitado pelo Parlamento.

Dá para desistir do Brexit? Atores políticos importantes como o novo presidente francês Emmanuel Macron e o próprio autor do artigo 50 indicam que sim, mas seria um grande desafio político interno.

CENÁRIO #5: De volta para o começo (1%)

Neste cenário, o governo vê que um cenário catastrófico é iminente e tenta convencer os eleitores a recuar.

Mas se eles não concordarem, o relógio da negociação continua rolando, desembocando eventualmente no cenário “beira de penhasco”.