Brasil terá recessão branda e longa, diz presidente do Citi

Para que o Brasil volte a crescer acima dos 2%, 3%, de acordo com o executivo, é necessário que o País passe por outras transformações e reformas

São Paulo – O Brasil terá uma recessão mais branda e longa do que outras já vistas no passado, na opinião do presidente do Citi no Brasil, Hélio Magalhães.

“O País terá talvez quatro trimestres negativos para que depois apresente crescimento ainda modesto. Passamos por uma fase de correção do rumo das políticas econômicas. É importante e necessário que seja feito, mas como consequência teremos crescimento baixo e ainda vamos conviver com uma inflação alta”, destacou ele, em palestra no CIAB 2015, promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

No entanto, para que o Brasil volte a crescer acima dos 2%, 3%, de acordo com o executivo, é necessário que o País passe por outras transformações e reformas.

Apesar disso, ele se diz otimista em relação ao ajuste fiscal promovido pelo governo e também com o que vem pela frente.

O presidente do Citi no Brasil acredita que a inflação no País deve atingir o pico entre os meses de junho e julho, mas já gerar uma tendência de baixa no terceiro trimestre.

Com isso, há chance, na visão do executivo, de o Banco Central indicar redução da taxa selic ainda neste ano.

“Seria muito bom (que o BC sinalizasse a redução da selic). Daria impacto positivo na confiança. Hoje, vivemos uma fase em que essa variável está muito baixa. Uma vez que a confiança, que tem sido impactada pela inflação, retornar, a atividade de negócios, investimentos, projetos, deve sair da gaveta”, analisou Magalhães. “Há muitas oportunidades no Brasil”, acrescentou ele.

Sobre a economia global, o executivo lembrou que há uma tendência de crescimento gradual após a saída da crise de 2008 ter sido uma das mais lentas possíveis.

Atualmente, de acordo com ele, alguns mercados ainda têm dificuldade de apresentar crescimento. O Citi, segundo o executivo, prevê expansão de 2,7% no crescimento global em 2015.

“A queda do preço do petróleo é um fato novo neste ano e ajuda o crescimento mundial. Isso ativa a economia”, observou Magalhães.

Esse crescimento moderado, conforme o presidente do Citi, indica que as taxas de juros permanecerão baixas por mais algum tempo.

No caso dos Estados Unidos, um motor “muito importante” na economia mundial, vem apresentando recuperação consistente, em sua visão.

“O BC americano já fala em elevação de juro desde o ano passado. No Citi, esperamos que a taxa de juros nos EUA ocorra esse ano, mais para o final de 2015, sendo o primeiro país a subir juros desde a crise de 2008”, concluiu Magalhães.