Brasil terá lista de fazendas que podem vender carne para UE

País entrou em acordo com o bloco e voltará a controlar quem pode vender carne para o continente

Rio de Janeiro – O Brasil voltará a controlar a lista de fazendas autorizadas a exportar carne bovina para a União Europeia (UE), o que acaba com uma restrição que prejudicava as vendas e que o país pretendia denunciar na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A decisão da UE de permitir que o governo brasileiro seja o responsável por autorizar diretamente as fazendas que podem exportar carne para a Europa foi confirmada nesta sexta-feira em comunicado pelo Ministério da Agricultura.

Desde 2007, o controle do que era conhecido como ‘lista traces’ era feito exclusivamente pelas autoridades europeias.

Desde essa data, o Brasil relaciona as fazendas que cumprem as normas sanitárias da UE, mas a exportação só era aprovada definitivamente pelo bloco.

A exigência chegou a seu fim hoje com a publicação no Diário Oficial brasileiro de uma lista de 1.948 fazendas que poderão comercializar carne com a União Europeia.

Antes da restrição, cerca de 26 mil propriedades brasileiras podiam exportar para a Europa.

A medida demonstra o reconhecimento dos avanços alcançados pelo Brasil nos sistemas de fiscalização de carnes e a retomada da confiança da UE no cumprimento das exigências de saúde animal por parte do Brasil, assegurou o diretor de programas do Ministério da Agricultura, Enio Marques.

Segundo o Ministério da Agricultura, o controle sobre a lista era uma antiga reivindicação tanto do governo como dos produtores de carne bovina do Brasil, um dos maiores exportadores mundiais do produto.

O governo chegou a ameaçar a levar a questão para a OMC, mais ao invés disso preferiu negociar uma flexibilização nas exigências. A atualização da lista será publicada a cada 15 dias no site do ministério.

O governo disse que pretende reduzir a burocracia nos processo de autorização, mas esclareceu que as exigências sanitárias permanecerão inalteradas.

Em 2007, O Brasil vendeu à União Europeia 195,200 toneladas de carne bovina por US$ 1,090 bilhão, mas esse volume caiu a 45,500 toneladas e o valor arrecadado para US$ 450 milhões nos onze primeiros meses do ano passado.

Os exportadores brasileiros consideram que a medida irá reverter a situação atual. A previsão para esse ano é que as vendas aumentem 10% em volume e 20% em valor.

A União Europeia é o maior mercado para a carne bovina brasileira depois da Rússia.