Brasil “choca” com corte na Selic, dizem jornais

Para o The Wall Street Journal, o Banco Central cedeu às pressões da indústria nacional. O Financial Times questiona se o BC tem medo da crise econômica mundial

São Paulo – O corte da taxa básica de juros de 12,5% para 12% ao ano feito pelo Banco Central é “surpreendente”, mas levanta dúvidas sobre o “comprometimento do governo no combate à inflação”, diz artigo publicado nesta quinta-feira no The Wall Street Journal. Segundo o texto de John Lyons e Jeffrey T. Lewis, a ação do BC sobre a Selic pode afetar sua “credibilidade” como órgão independente das pressões políticas.

De acordo com o WSJ, o governo brasileiro é pressionado pela indústria e pelas centrais sindicais, que desejam cortar as altas taxas de juros que supostamente “supervalorizam” a moeda nacional. Segundo o texto, o real valorizou 46% desde o começo de 2009, deixando os fabricantes nacionais vulneráveis ​​às importações chinesas.

A redução da Selic ocorre um dia depois da presidente Dilma Rousseff pedir o corte dos juros em uma entrevista de rádio em Pernambuco. Segundo a presidente, a elevação em 10 bilhões de reais da meta de superávit primário abriu espaço para um corte na taxa básica de juros.

O blog beyondbrics, do jornal britânico Financial Times, também afirmou hoje que o corte dos juros representa um “choque” na atual política monetária brasileira. No entanto, o texto de Samantha Pearson questiona se o Banco Central sabe algo “terrível” sobre o futuro da economia global que outros economistas não sabem ou se a instituição está mesmo sucumbindo às pressões políticas no Brasil para reduzir as “ridículas” taxas de empréstimos.