Risco Brasil: um longo caminho de volta

Nesta terça-feira, a agência de classificação de risco Moody’s realiza sua 18ª Conferência anual para a América Latina, em São Paulo, e a crise brasileira está no centro do debate, assim como a perda de brilho do continente. A Moody’s abre a conferência com uma palestra que fala sobre as baixas perspectivas de crédito para a América Latina, e encerra questionando se a região está entrando numa era de baixas expectativas.

Atualmente, o Brasil é classificado como instável pela Moody’s. Em setembro de 2014, o país tinha nota Baa2, um grau de investimento médio, e, em fevereiro deste ano, desceu para Ba2, grau especulativo, de vulnerabilidade a mudanças econômicas. A agência espera que o país volte a crescer em 2017, mas com um tímido 0,5%. “Diante de uma recuperação incipiente, o lucro das empresas permanecerá fraco e o desemprego continuará a subir, levando a um aumento no número de empréstimos problemáticos”, aponta o relatório divulgado nesta segunda-feira. Melhora na avaliação, se tudo der certo, só em 2018.

Até lá, ainda podemos ter novas quedas na avaliação de risco. “As agências levam em consideração a capacidade do país de ser um bom pagador. Para reverter essa avaliação ruim, a aprovação de reformas é fundamental”, diz Caio Megale, analista do Itaú. “Medidas como o teto de gastos e a reforma na previdência, que demonstram preocupação com o equilíbrio das contas públicas, devem ajudar a retomar a confiança dos investidores”, afirma.

Enquanto o Brasil luta para sair da crise, praticamente todos os países da América Latina ou mantiveram ou melhoraram a avaliação de 2014 para cá. A Argentina, rebaixada em março de 2014, recuperou sua classificação histórica em abril de 2016, quatro meses após a posse do presidente Mauricio Macri. O Chile é o país mais bem classificado, com Aa3, grau alto de investimento, e Peru e México, também possuem boa avaliação. Vai levar tempo, e muito trabalho, para nos juntarmos a esse grupo.