Boletim Focus reduz previsão da inflação em 2019 pela 10ª vez seguida

Estimativa da inflação, calculada pelo IPCA, passou de 3,42% para 3,28%; projeção para o crescimento do PIB se manteve em 0,87%

Na esteira dos dados mais recentes de inflação, os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – em 2019 e 2020. O Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 14, pelo Banco Central (BC), mostra que a mediana para o IPCA este ano passou de alta de 3,42% para elevação de 3,28%. Há um mês, estava em 3 45%. A projeção para o índice em 2020 foi de 3,78% para 3,73%. Quatro semanas atrás, estava em 3,80%.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2021, que seguiu em 3,75%. No caso de 2022, a expectativa permaneceu em 3,50%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,75% e 3 50%, respectivamente.

A projeção dos economistas para a inflação está abaixo do centro da meta de 2019, de 4,25%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%). Para 2020, a meta é de 4%, com margem de 1,5 ponto (de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2 25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%).

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de setembro apresentou deflação de 0,04%. No ano até setembro, a taxa acumulada é positiva em 2,63%.

Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC atualizou suas projeções mais recentes para a inflação. Considerando o cenário de mercado, a projeção para o IPCA em 2019 está em 3,3%. No caso de 2020, está em 3,6%.

No Focus agora divulgado, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2019 foi de 3 40% para 3,28%. Para 2020, a estimativa do Top 5 passou de 3,73% para 3,78%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,40% e 3,73%, nesta ordem.

No caso de 2021, a mediana do IPCA no Top 5 foi de 3,80% para 3 75%, ante 3,80% de um mês atrás. A projeção para 2022 no Top 5 foi de 3,75% para 3,50%, ante 3,75% de quatro semanas antes.

Últimos cinco dias úteis

A projeção mediana para o IPCA de 2019 atualizada com base nos últimos cinco dias úteis passou de 3,40% para 3,21%. Houve 50 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 3,43%.

No caso de 2020, a projeção do IPCA dos últimos cinco dias úteis foi de 3,70% para 3,58%. Há um mês, estava 3,79%. A atualização no Focus foi feita por 50 instituições.

Meses

Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente a previsão para o IPCA em outubro de 2019, de alta de 0,16% para elevação de 0,15%, conforme o Relatório de Mercado Focus. Um mês antes, o porcentual projetado indicava inflação de 0,16%.

Para novembro, a projeção no Focus foi de alta de 0,24% para 0 22% e, para dezembro, passou de alta de 0,40% para 0,39%. Há um mês, os porcentuais de alta eram de 0,24% e 0,41%, respectivamente.

No Focus divulgado nesta manhã, a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 3,51% para 3,44% de uma semana para outra há um mês, estava em 3,41%.

Preços administrados

O Focus indicou alteração na projeção para os preços administrados em 2019. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador este ano foi de alta de 4,32% para 4 30%. Para 2020, a mediana seguiu com alta de 4,10%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 4,50% para os preços administrados em 2019 e elevação de 4,20% em 2020.

As projeções atuais do Banco Central (BC) para os preços administrados, no cenário de mercado, indicam elevações de 3,5% em 2019 e 4,5% em 2020.

Outros índices

O Relatório Focus também mostrou que a mediana das projeções do IGP-M de 2019 passou de 5,18% para 5,21%. Há um mês, estava em 5 07%. No caso de 2020, o IGP-M projetado seguiu com alta de 4,02% ante 4,05% de quatro semanas antes.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do câmbio e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas.

PIB

Já a expectativa de crescimento da economia em 2019 seguiu em 0,87%. Há quatro semanas, a estimativa de alta era a mesma.

Para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB), em 2,00%. Quatro semanas atrás, estava no mesmo patamar.

No fim de agosto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB do segundo trimestre de 2019 subiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre.

Em setembro, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2019, de alta de 0,8% para elevação de 0,9%.

No Focus desta segunda-feira, a projeção para a produção industrial de 2019 seguiu com baixa de 0,65%. Há um mês, estava em baixa de 0,47%. No caso de 2020, a estimativa de crescimento da produção industrial seguiu em 2,29%, ante 2,48% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2019 foi de 56,10% para 56,05%. Há um mês, estava em 56 10%. Para 2020, a expectativa passou de 58,30% para 58,40%, ante 58,30% de um mês atrás.

Selic

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2019. De acordo com o Focus, a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 4,75% ao ano. Há um mês, estava em 5,00%. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 foi de 5,00% para 4,75% ao ano, ante 5,00% de quatro semanas atrás.

No caso de 2021, a projeção permaneceu em 6,50%, ante 7,00% de um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7,00%, mesmo porcentual de quatro semanas antes.

Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 0,50 ponto porcentual, de 6,00% para 5,50% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo da taxa básica.

No comunicado sobre a decisão, o BC avaliou que o cenário externo, apesar de incerto, está favorável para países emergentes. Além disso, reconheceu avanços nas reformas econômicas e divulgou projeções comportadas de inflação para 2019 e 2020. Neste contexto, a instituição também indicou que pode promover novos cortes na Selic. Estas mensagens foram reforçadas pela ata do encontro e pelo Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 foi de 4,75% para 4,50% ao ano, ante 5,00% de um mês antes. No caso de 2020, permaneceu em 4,50% ao ano, ante 5,00% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 permaneceu em 6,50%. Há um mês, estava no mesmo patamar. Para 2022, a projeção do Top 5 seguiu em 6,50% ao ano, igual a um mês antes.

Câmbio

O relatório mostrou a manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2019. A mediana das expectativas para o câmbio no fim deste ano seguiu em R$ 4,00, ante R$ 3,90 de um mês atrás.

Para o próximo ano, a projeção para o dólar permaneceu em R$ 3 95, ante R$ 3,90 de quatro pesquisas atrás.