BofA corta previsão de crescimento do Brasil de 1,5% para 1%

O banco diz que o consumo continua decepcionando, mas vê "brotos verdes" e queda da inflação

São Paulo – O Bank of America Merrill Lynch anunciou ontem um corte da previsão de crescimento do Brasil em 2017 de 1,5% para 1%.

Em um relatório chamado “frágeis brotos verdes”, o banco diz que o consumo continua decepcionando em meio a queda da renda e fraqueza do mercado de trabalho:

“Os recentes dados macro do Brasil têm vindo mais fracos do que o esperado, indicadores preliminares sugerem uma temporada de festas fraca, os indicadores de confiança se retraíram para a margem e um Banco Central mais ‘falcão’ pode estar adiando a recuperação”, diz o texto.

Muito depende também do avanço legislativo de reformas fiscais como a PEC do teto de gastos e o encaminhamento de mudanças na Previdência.

A boa notícia é que as perspectivas de inflação estão caindo: a taxa de setembro veio muito abaixo do esperado e a de outubro, divulgada ontem, foi a mais baixa para o mês desde 2000.

O banco cortou sua projeção para a inflação em 2017 de 4,9% para 4,7%, já muito próximo do centro da meta perseguida pelo Banco Central de 4,5%.

Quanto mais a inflação se aproxima da meta, mais rápido o BC pode cortar os juros – um processo que já começou em outubro e deve continuar em dezembro.

Um risco nesse sentido é a desvalorização do real, que hoje está caindo 5% levando o dólar para próximo dos R$ 3,39.

O Banco Central brasileiro não está interferindo no mercado de câmbio e há uma onda forte de aversão ao risco por conta da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos.

“Tudo o que o mercado econômico mais odeia é a incerteza (…) Trump pode ser a pedra no caminho da retomada de crescimento do Brasil”, disse ontem em evento o economista Ricardo Amorim.

A incerteza deve afetar a América Latina como um todo, mas os principais perdedores serão aqueles mais dependentes do comércio internacional – grande alvo de Trump  na campanha.

“Ainda que Brasil, Colômbia e Peru sejam exportadores de commodities, o setor externo é uma proporção menor das suas economias, então esperamos um impacto mais tímido no crescimento”, afirmou ontem um relatório do Citi.

O presidente do Santander disse ontem que o pior no Brasil “já passou” enquanto o presidente do Bradesco disse que o país “parou de piorar” e que nossos desafios são principalmente internos.