BNDES pagará mais R$ 30 bilhões ao Tesouro até fim do mês, diz Levy

Em evento da Exame, presidente do banco declarou que desembolsos serão substituídos pela atuação no mercado de capitais

São Paulo – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira (28) que o banco pagará mais R$ 30 bilhões devidos ao Tesouro Nacional até o final do mês.

“Vamos devolver agora em maio R$ 30 bilhões para o Tesouro”, afirmou em discurso no EXAME Fórum PPPs e Concessões, em São Paulo.

O pagamento refere-se às transferências feitos para o banco entre 2008 e 2014. Nos cinco primeiros meses de 2019, a instituição espera devolver um total de R$ 48 bilhões ao governo, de mais de R$ 100 bilhões que o governo exige até o fim do ano.

Menos desembolsos

Levy declarou também que a expectativa de desembolsos do banco em sua gestão é de 1% do PIB, bem abaixo dos percentuais praticados em governos anteriores.

Segundo o presidente do BNDES, essa mudança reflete a estratégia do banco de substituir a concessão de crédito subsidiado privilegiando a expansão do mercado privado de capitais.

“Hoje somos mais um banco de projetos de estruturação do mercado de capitais do que de empréstimos”, afirmou Levy, ponderando que a substituição vem sendo gradual.

Levy declarou, ainda, que o banco vai priorizar em sua gestão a área de infraestrutura, além de pequenas e médias empresas e projetos ligados a inovação.

Ele defendeu também que o banco precisa começar a tomar um pouco mais de risco, especialmente agora que passou a focar nas PMEs. “Estamos nos preparando para isso”.

Carteira de ações à venda

Para apoiar as novas prioridades do BNDES, o banco pretende dar continuidade a mudanças em sua carteira de ações, declarou Levy.

Hoje, o braço de investimentos do banco, o BNDESpar, possui mais de R$ 100 bilhões em ativos deste tipo, boa parte ações de empresas estatais que estão no plano de venda.

A idéia é vender assim que possível, gerando recursos para o caixa do banco e também para o governo, via pagamento de impostos pelo lucro do investimento.

“As estatais estão bem maduras para serem vendidas’ , disse Levy durante o evento.

No primeiro trimestre, o banco teve um lucro líquido 436% maior, de R$ 11,1 bilhões, impulsionado pela venda de ações em empresas como Petrobras e Vale.