BNDES não pode ser fábrica de privilégios, diz Paulo Guedes

De acordo com o ministro, o banco não pode exercer apenas o papel de "dar grana para gato gordo"

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira (10) que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não pode ser uma fábrica de privilégios e que não pode escolher apenas algumas empresas para receber a maior parte dos investimentos. A afirmação foi feita durante o 31º Fórum Nacional, que acontece no BNDES, no Rio de Janeiro.

De acordo com o ministro, o banco não pode exercer apenas o papel de “dar grana para gato gordo”. “Tem que acabar com essa história de [criar empreendimento] campeão nacional. Quem cria campeão nacional é o mercado. Isso aqui não pode ser uma fábrica de privilégios”, disse.

Segundo ele, o banco deveria ter um papel de investir em projetos de utilidade pública, como a política de saneamento, mas também na reestruturação financeira de estados e municípios, nas privatizações e no Programa de Parcerias de Investimentos (PPIs).

Guedes também defendeu que o BNDES devolva dinheiro da União e passe a concentrar esforços em segmentos específicos, que geram efeitos na área social, como o de saneamento. O ministro espera que o banco contribua na reestruturação de Estados e municípios.

Em palestra no 31º Fórum Nacional, em escritório do BNDES, no Centro do Rio, ele criticou a política do governo petista dos “campeões nacionais”, que classificou como fábrica de privilégios. “Não é razoável um sujeito em Brasília criar a maior fábrica de proteína do mundo. Quem escolhe os campeões?”, questionou.

Em seguida, disse: “Se pedalaram o BNDES, temos que despedalar. Vamos reduzir. Temos que devolver capital à União.”

Segundo o ministro, o ‘S’ da sigla do BNDES deverá ser traduzido como saneamento. Esse será um dos segmentos nos quais o banco deverá se aprofundar. “Vamos avançar nas privatizações”, acrescentou.

Guedes destacou ainda a intenção de o banco participar do processo de reestruturação das finanças de Estados e municípios, com a utilização de recursos futuros, como do pré-sal. “Vamos usar mais garantias do que crédito bruto para reestruturar Estados e municípios”, afirmou.