BNDES estuda vender parte de carteira de debêntures

Medida visa levantar recursos e estimular a participação do mercado de capitais no financiamento de longo prazo do país

Rio de Janeiro – O BNDES pretende vender parte da sua carteira de debêntures em infraestrutura para bancos privados neste ano para levantar recursos e estimular a participação do mercado de capitais no financiamento de longo prazo do país, disse o diretor da área financeira da instituição Carlos Thadeu de Freitas.

Nos últimos anos, o BNDES condicionou parte de seus financiamentos à emissão de debêntures por parte das empresas tomadoras para fomentar o mercado de capitais.

“O banco acha que há espaço para se colocar debêntures no mercado. Oferecer aos bancos, principalmente os que estão lá fora e com acesso a crédito farto e mais barato, essas debêntures que estão encarteiradas no BNDES”, disse ele em entrevista à Reuters na terça-feira.

A carteira de debêntures detidas pelo BNDES reúne bilhões de reais e o montante a ser vendido ou compartilhado com os bancos privados ainda está sendo calculado.

“O BNDES para captar lá fora paga imposto de renda. Esses bancos privados lá fora não pagam. Isso já faz uma tremenda vantagem. Esses bancos poderiam comprar as debêntures porque as condições para eles são muito favoráveis”, disse Freitas.

Ele citou ainda que os estudos também incluem a criação de um fundo junto a bancos privados para negociação das debêntures de infraestrutura. “Vender essa carteira faz parte do processo de capitalização do BNDES, mas o mais importante é fomentar e estimular mais o mercado de capitais”, disse Freitas. “O fundo, se compartilhado com os bancos, também poderia ser usado para financiar projetos de infraestrutura no Brasil”, acrescentou.

Os estudos sobre o fundo já ocorrem há algum tempo. No ano passado, a ex-presidente do BNDES Maria Silvia Bastos Marques durante evento com empresários em maio listou uma série de projetos que a instituição planeja desengavetar a partir dos próximos meses, incluindo repasse de recursos por meio de debêntures e o lançamento de novos fundos de dívida.