BNDES dará “cheque especial” a empresas

O banco está revisando todos os produtos, deixando de ter linhas de crédito com formato para cada setor, e terá agora conforme o tipo de empresa

Brasília – O BNDES vai lançar uma linha pré-aprovada de crédito para médias e grandes empresas que já tenham relacionamento permanente com o banco investirem na compra de máquinas e equipamentos.

“É como um cheque especial que vamos deixar disponível para as empresas”, disse o presidente do banco de fomento, Dyogo Oliveira.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Oliveira disse que esse modelo de oferta de crédito será uma marca do projeto de transformação estratégica da instituição, que inclui 12 projetos que serão implementados até o final do ano. A ideia, disse, é mudar todos os procedimentos da análise do crédito e produtos oferecidos pelo banco.

Depois de três meses no comando da instituição, Oliveira – que deixou o Ministério do Planejamento em abril para assumir o cargo – apresentou ao presidente Michel Temer a proposta.

“O BNDES vai mudar de cara”, disse. Pela primeira vez, o banco vai caçar os clientes. “Por incrível que pareça, o banco nunca deu um telefonema para uma empresa para oferecer uma linha de crédito.”

Segundo ele, será criada uma área específica para “originação” de crédito. Para o presidente do BNDES, o banco não se comunica bem. Pesquisa de imagem mostrou que até mesmo grandes empresas têm pouco conhecimento do banco. Entre as pequenas, o desconhecimento é ainda maior. A orientação é reduzir os prazos e diversificar os recursos.

As operações indiretas de financiamento, realizadas por meio de outros bancos, terão análise quase automática. Hoje, a análise pode durar até mesmo 180 dias.

“Como essa operação não tem risco para o BNDES, o risco é do banco, vamos simplesmente fazer uma análise automática de conferência de dados e documentos”, disse. O BNDES não precisará mais fazer um estudo detalhado e demorado – um trabalho que já é feito pelo banco parceiro.

Linha

Em pouco tempo, disse Oliveira, a nova linha para compra de máquinas e equipamentos deve se transformar na maior do banco. Para definir os limites do crédito, será feita uma análise preliminar da empresa e a constituição das garantias. Com isso, quando a empresa solicitar o crédito, mais de 90% da análise já estará feita.

“A empresa só vai identificar o que quer comprar, o computador checa se o que ela quer comprar está na base de itens financiáveis e está aprovado”, explica. Não haverá restrição de volume para a linha.

Segundo ele, o modelo é diferente do cartão BNDES, uma modalidade para micro e pequenas empresas. Na avaliação, a linha não traz risco, porque as garantias já terão sido dadas previamente, diminuindo os riscos.

Nas operações diretas, o custo do crédito será a TLP (taxa de longo prazo, que substituiu a TJLP nos financiamentos do BNDES) mais o ganho do banco e o risco de crédito da empresa. No final, deve variar entre 10% e 11% ao ano.

O banco está revisando todos os produtos, deixando de ter linhas de crédito com formato para cada setor aqui. Terá agora conforme o tipo de empresa. “O curioso é que, apesar de haver esses ‘programinhas’, no fundo eram linhas iguais, porque não levavam em conta o estágio de desenvolvimento das empresas.”

Para o presidente do BNDES, a decisão de bancar a elaboração dos projetos de infraestrutura será um “divisor de águas”. “O grande problema no Brasil não é achar recursos para financiar projetos. O problema é ter bons projetos de infraestrutura.”

O BNDES vai contratar empresas especializadas para cada setor para fazer o desenho detalhado dos projetos. “O banco tem, e nunca exerceu isso plenamente, uma capacidade de coordenação dos investimentos.”

Embraer

Sobre a união da Embraer com a Boeing para a criação de uma nova empresa, Oliveira disse que o acordo é muito benéfico para o País e para os acionistas da companhia brasileira.

Segundo ele, as perspectivas da empresa sem esse acordo eram muito negativas, após a compra da Bombardier pela Air Bus. O BNDES é acionista da Embraer.

“Todo processo de negociação é dinâmico e a empresa listada em bolsa está submetida a regras severas sobre divulgação ao mercado de informações relevantes”, ressaltou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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