Big Mac indica: o Real está mais hipervalorizado do que parece

Versão ajustada do Índice Big Mac indica que o real pode ser a moeda mais cara do mundo neste momento

O dólar bateu mais um recorde recente de baixa nesta terça-feira: caiu abaixo dos R$ 3,10, coisa que não acontecia desde julho de 2015. Mas a questão aí não é que o dólar esteja particularmente barato – pelo menos não em relação às outras moedas do planeta.

Diagnóstico: é o real quem está passando por uma valorização atípica. É o que mostra a versão mais recente do Índice Big Mac, que a revista britânica The Economist compila desde 1986.

O Índice Big Mac, para quem não conhece, é uma ferramenta que ajuda a mostrar quais moedas do mundo estão valendo demais e quais estão valendo de menos em relação ao dólar.

A filosofia por trás da coisa é a seguinte: o sanduíche do McDonald’s tem a mesma receita no mundo todo, e é sempre produzido com ingredientes locais, comprados em moeda local. Em janeiro, o sanduíche custava US$ 5,12 (R$ 16) no Brasil. No Egito, ele saía por US$ 1,46 (R$ 5).

Quando os produtos dos outros países parecem baratos demais, é porque a moeda do seu país está valorizada demais. É o que acontece com o real em relação à moeda do Egito, e em relação a praticamente todas as outras. Tanto que, em janeiro, estávamos com o quinto Big Mac mais caro do mundo.

Na nossa frente, só Suíça, Suécia e Noruega – além da Venezuela (que está de intrusa na lista – o lanche está caro lá porque a economia do país está destruída, então o Big Mac virou artigo de luxo, como era no Brasil hiperinflacionado dos anos 80, quando as pessoas se vestiam bonito para ir ao Mac).

A lista:

indicebigmac-dollar

 (/Superinteressante)

Bom, não contei que o Índice Big Mac tem uma falha. Ele não leva em conta a pobreza relativa dos países. A renda média mensal no Egito é de R$ 500. No Brasil, são R$ 2.500. Sim, aqui é pouco também.

Mesmo assim, dá cinco vezes a renda deles. Logo, um sanduíche que só leva ingredientes modestos – dois hambúrgueres, alface, queijo, cebola, pepino e pão – acaba custando menos lá.

Por conta desse tipo de problema, a Economist bolou uma versão “gourmet” da coisa (o trocadilho é deles, não deste repórter). E essa variante é mais esperta mesmo: leva em conta as disparidades na renda per capita dos países.

Tipo: um Big Mac custa mais de US$ 6 na Suíça. Mas a Suíça é um país com renda média de R$ 12 mil por mês. De cada 10 suíços adultos, um é milionário (milionário em dólar, o que significa que cada um deles tem pelo menos R$ 3 milhões em bens e investimentos). Logo, não dói para ninguém lá pagar quase R$ 20 num Big Mac.

Aqui dói. E dói mais ainda quando a gente se compara a países mais terráqueos que a Suíça. África do Sul, por exemplo. A renda média lá é de R$ 4.500. Quase duas vezes a nossa. Já o Big Mac deles custa US$ 1,89 (R$ 6). Gordos 10 reais a menos que o nosso.

Pelo Índice Big Mac ajustado, países pobres tendem a ir para a parte de cima da lista. E o que acontece com o Brasil, então, que, além de pobre tem um Big Mac com preço Suíço?

Veja:

indicebigmac-dollarajustado

 (/Superinteressante)

Pois é.

O real valorizado desse jeito é até bom para viajar, óbvio. E, se Europa e EUA ficam mais acessíveis, numa África do Sul da vida você faz a festa: pizza de R$ 10, vinho bom de R$ 15. Show.

O problema mesmo é para as empresas nacionais que exportam: o real valorizado não deixa só o Big Mac brasileiro caro, deixa nossa soja, nosso café, nossos aviões e nosso petróleo mais caro.

Sim, o barril da Petrobras e o avião da Embraer são sempre cotados em dólar, mas os salários dos funcionários são em real – se os dólares quem entram rendem menos reais do que o normal, os funcionários ficam mais caros, então a produção acaba mais dispendiosa. Alguma coisa, enfim, está fora da ordem. Aguardemos os próximos capítulos.

Este conteúdo foi originalmente publicado na Superinteressante.

Comentários

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  1. Leonardo Ferreira

    R$ 2.500 é a média do Brasil, Tem certeza?

  2. Rodrigo Portela

    O lucro Brasil é astronômico, combinando baixos salários , R$ 2500,00 de média salarial é brincadeira neh ?? R$ 1500,00 seria mais a nossa realidade. Então combinamos ganância de empresários de diversos setores , construtoras, automobilistica , alimentícia , combustíveis , e governo sedento por uma tributação elevada. Temos essa crise que se extenderá por muitos anos a frente. Com o empobrecimento geral da população.

  3. Carlos Eduardo Batista

    Isso prova que o brasileiro precisa parar de ser tonto pra deixar de ser explorado!

  4. Rodrigo Lima

    Essa média de salários não serve muito bem como parâmetro pra medir riqueza, pra chegar nesse resultado é feito um cálculo com todos os salários desde o mais baixo ao mais alto e dai sai a média, se for analisa bem acho que 1.500 seria uma média alta entre a grande massa de trabalhadores..

  5. Rubens Pires

    Por ganância, acredito que vc quer dizer que grandes empresas que tomam proveito de o sistema constitucional e legal nacional é constituído de monopólios estatais, economia centralizada e corporativismos em que leva aquele que for “amigo do rei” (pague propinas, campanhas eleitorais, lave dinheiro de políticos), impossibilitando que novos e menores concorrentes apareçam…pois não há na história nenhum exemplo sequer de carteis bem sucedidos sem a ajuda/regulação do estado, e assim os ricos ficam mais ricos e pobres mais pobres.
    Salve o intervencionismo do Brasil, 122º em liberdade econômica…Não conte com empresas sem ganância, conte com a competição livre…e isso não temos por aqui.

  6. Falácia, 33% do valor do Big Mac é imposto, e ainda falta considerar o custo da infraestrutura capenga e da pífia produtividade brasileira, olha aí os países produtivos do sudeste asiático na parte amarela do gráfico.
    Moeda fraca país fraco, o café, o petróleo e os aviões que exportamos precisam de insumos importados, o resultado de uma moeda fraca é que em 2014 exportamos US$225bi e em 2016 exportamos US$185bi.

  7. Luis Mantecón

    O problema aqui é que vendem comida lixo a preço de comida gourmet e o povo ainda compra. Se desvalorizar o Real até 6 contra o dólar o Bigmac vai custar RS 32 e o povo ainda vai comprar …