Big fail, mas e daí? 9 tuítes que resumem a reação a Bolsonaro em Davos

Como a mídia estrangeira e personagens da vida nacional reagiram ao discurso do presidente no Fórum Econômico Mundial

São Paulo – No início do seu discurso em Davos nesta terça-feira (22), Jair Bolsonaro classificou a sessão no Fórum Econômico Mundial como “uma grande oportunidade”.

Ele foi o primeiro presidente do hemisfério sul, primeiro da América Latina e primeiro fora do G7 a abrir o evento, e tinha todos os olhos da imprensa mundial curiosa para saber quem ele é e o que pensa. A julgar pelas reações, a oportunidade foi perdida.

A avaliação geral é que o presidente não tomou nenhum grande risco nem cometeu erros grosseiros, mas também não empolgou a plateia ou esclareceu o que será, afinal, o seu governo.

O discurso foi curto, por qualquer critério. Lula, Dilma e Temer ficaram na faixa dos 30 minutos, incluindo a sessão de perguntas e respostas; Bolsonaro não ficou nem metade desse tempo.

O correspondente Jamil Chade, do Estadão Conteúdo e um veterano de Davos, disse que nunca havia visto um discurso abaixo de 10 minutos no evento até hoje.

O mercado financeiro, que esperava possíveis sinalizações firmes ou detalhes da agenda econômica, não reagiu de forma positiva.

Em um dia também marcado por tensões relacionadas a guerra comercial e a desaceleração global, o dólar fechou cotado a R$ 3,80 em alta de 1,25%, a maior alta percentual diária em quase dois meses.

Redes sociais  

EXAME acompanhou a movimentação no Twitter através dos mecanismos de busca da ferramenta após o discurso e fez um apanhado de comentários.

A própria conta oficial de destaques do Fórum, com 3,3 milhões de seguidores, não tinha qualquer menção à fala de Bolsonaro até às 19h45 desta terça-feira (22h45 em Davos).

Brian Winter, editor-chefe da revista America Quaterly, disse ter recebido manifestações de colegas não brasileiros “e sem agenda política” chamando o discurso de “bizarro” e um “desastre”.

“Outra pessoa nos emails da audiência de Davos: ‘desastre. eu queria gostar dele mas ele não disse nada. Por que ele veio afinal?’

“Só para registro: nenhuma das pessoas que me mandou esta mensagem é brasileira ou tem qualquer  agenda política. Ambos são investidores que realmente querem que o Brasil tenha sucesso. Recebi várias outras mensagens similares na última hora. Não foi bem”.

Heather Long, correspondente econômica do jornal americano The Washington Post, classificou a fala como um “big fail”.

“E…. acabou. O presidente brasileiro Bolsonaro falou por menos de 15 minutos. Grande fail. Ele tinha o mundo inteiro assistindo e sua melhor frase foi chamando as pessoas para passar férias no Brasil. Bolsonaro é chamado de Trump sul-americano mas parecia morno”.

Ben Marlow, editor-executivo de Negócios do jornal britânico The Telegraph, disse que o presidente não atendeu às expectativas e fez um discurso engessado.

“É justo dizer que o Bolsonaro não sustentou sua escalação. Discurso bem sem vida, engessado, que durou menos de 15 minutos, pareceu roteirizado demais e voou por uma longa lista de compromissos já feitos. Não consigo imaginá-lo sendo convidado novamente tão em breve”

Sylvie Kauffmann, diretora editorial do jornal francês Le Monde, chamou a atenção para a falta de sintonia com a plateia e para o tom genérico do discurso.

“Bolsonaro não teve uma boa correspondência com o público de Davos. Discurso curto de campanha, muito genérico, e depois ele evitou dar respostas concretas para as perguntas de Klaus Schwab. Definitivamente sem aplausos de pé”.

Carlos Andreazza, editor-executivo do Grupo Editorial Record, viu a falta de brilho no discurso como uma qualidade.

 

Marina Silva, candidata à Presidência nas últimas eleições, focou na sua área de especialidade (o meio ambiente) destacando que o novo governo tem implementado ações na direção contrária das que pareceu celebrar ao dizer que o país é líder em preservação.

O ex-tucano, agrônomo e político Xico Graziano, que havia sido cotado para a pasta do Meio Ambiente, também viu a simplicidade como uma vantagem.

Maurício Santoro, Professor de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, destacou a falta de menção ao rombo fiscal e medidas para saná-lo, em especial a reforma da Previdência.

Lucas de Aragão, professor de risco político e sócio da Arko Advice, lembrou que a importância do discurso deve ser colocada em proporção, já que o investidor estrangeiro está mais preocupado com decisões concretas e sua viabilidade política.