BCE diz que riscos continuam, mas que tem instrumentos para agir

Mesmo com as incertezas, presidente Mario Draghi apontou que as expectativas de investimento ainda são "relativamente robustas"

São Paulo — O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse nesta quarta-feira, 27, que os riscos para a perspectiva econômica da zona do euro continuam apontando para baixo, mas ressaltou que o atual momento de fraqueza na região “não necessariamente precede uma forte contração”.

Segundo Draghi, que falou durante discurso em Frankfurt, os dados atuais sugerem que a demanda externa ainda não afetou significativamente a demanda interna, mas os riscos cresceram nos últimos meses e as incertezas permanecem elevadas. Ele citou, como exemplo, as recentes disputas comerciais e a desaceleração econômica em países emergentes, especialmente na China.

“É por isso que nossa perspectiva de médio prazo continua sendo de que o crescimento voltará gradualmente para seu potencial, mas os riscos permanecem negativos”, disse Draghi.

Apesar das incertezas, Draghi apontou que as expectativas de investimento ainda são “relativamente robustas”.

Draghi também afirmou que o BCE está atento a riscos futuros e pronto para voltar a agir com mais medidas de estímulos se houver deterioração significativa da perspectiva.

“Não nos faltam instrumentos (de política monetária) para cumprirmos nosso mandato”, afirmou Draghi, referindo-se à meta do BCE de trazer a inflação para um nível ligeiramente inferior a 2%.

Em sua última reunião de política monetária, no dia 7, o BCE afirmou que pretende manter suas principais taxas de juros nas mínimas históricas atuais até pelo menos o fim de 2019 e anunciou que oferecerá novos empréstimos de baixo custo a bancos da zona do euro, através de Operações de Refinanciamento de Prazo Mais Longo Direcionadas (TLTROs, na sigla em inglês), entre setembro deste ano e março de 2021.

Contra “respingos” do Fed

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, afirmou que, em um mundo financeiramente integrado, a zona do euro não está imune a respingos de choques emanando dos Estados Unidos, mas está convencido de que a sua instituição tem as ferramentas adequadas para proteger a economia da área da moeda comum desses transbordamentos da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Para o espanhol, a lucratividade “pesadamente” pressionada dos bancos na zona do euro se deve principalmente a “fragilidades estruturais” que essas empresas do setor financeiro “precisam abordar”, uma vez que representam desafios ao seu ambiente operacional.