BC vê mais inflação neste ano

Banco Central defende, entretanto, convergência "tempestiva" para meta da inflação

Brasília – O Banco Central piorou a perspectiva para inflação neste ano ao reforçar os riscos para os preços no curto prazo, mas sustentou que trabalha para a convergência “tempestiva” para a meta, informou nesta quinta-feira a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Esse cenário mais deteriorado dos preços contempla o reajuste de cerca de 5 por cento no preço da gasolina e recuo de aproximadamente 11 por cento na tarifa residencial de eletricidade neste ano, de acordo com o documento.

O Copom ressaltou que a demanda doméstica tende a continuar robusta neste e nos próximos semestres, sobretudo com consumo das famílias. Também ressaltou que o setor público continua “expansionista”, mas lembrou que o cenário internacional limita a demanda agregada.

Neste contexto, defendeu que “decisões futuras de política monetária serão tomadas com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas”. O Copom também indicou que vai mater a Selic –hoje na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano– por um “tempo suficientemente prolongado”.

A projeção de inflação de 2013 divulgada pelo Copom, pelos cenários de referência e de mercado, aumentou e se posiciona acima do centro da meta de 4,5 por cento, pelo IPCA. Para 2014, a projeção está “ligeiramente acima do centro da meta” também em ambos cenários.

O Copom, também não citou que a inflação convergiria para a meta “ainda que de forma não linear”, o que alimentou avaliações de que a inflação poderia estar sendo encarada pelo BC de maneira ainda pior.

Uma importante fonte da equipe econômica chegou a informar à Reuters que, mesmo com os preços no Brasil ainda pressionados em janeiro e, “talvez”, em fevereiro, o cenário central de parte do governo para o comportamento dos preços é de uma queda “mais linear”, rumo à meta.


Os sinais mais recentes de inflação continuam mostrando mais pressão. O IPCA-15, a prévia do indicador oficial, mostrou alta de 0,88 por cento em janeiro, acima das expectativas mais pessimistas.

Perder força?

Na semana passada, o Copom decidiu, pela segunda vez seguida, manter a Selic na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano e já havia reforçado que ela ficará assim pelos próximos meses.

No comunicado, no entanto, o comitê já havia antecipado a avaliação de que houve piora da inflação no curto prazo –cenário repetido na ata desta quinta-feira– acendendo uma luz amarela entre os agentes econômicos, que aumentaram as discussões sobre possíveis altas da Selic mais cedo do que o esperado.

Na ata, no entanto, o Copom informou que a recuperação menor da atividade econômica doméstica vem “essencialmente” das limitações de oferta. E, assim, esse lacuna não pode ser sanada por ações de política monetária “que são, por excelência, instrumento de controle da demanda”.

O governo tem se esforçado, neste início de ano, para mostrar que a inflação vai perder força nos próximos meses. Para tanto, a presidente Dilma Rousseff anunciou na noite passada que o corte nos preços das tarifas de energia elétrica serão ainda maiores e válidos a partir de agora.

Uma fonte do governo havia dito para a Reuters, antes desse anúncio, que o BC calculava que o corte nos preços dessas tarifas teria um impacto negativo de 1 ponto percentual no IPCA deste ano, mais do que o suficiente para compensar a esperada alta nos preços da gasolina, com impacto positivo de 0,3 ponto sobre o indicador de inflação.

Os sinais mais recentes de inflação continuam mostrando mais pressão. O IPCA-15, a prévia do indicador oficial, mostrou alta de 0,88 por cento em janeiro, acima das expectativas mais pessimistas.