BC ressalta piora na inflação, mas vê economia mais fraca

Cenário levou em conta a taxa de juros básicos de 14,25 por cento ao ano e dólar a 3,90 reais, já distante do atual patamar na casa dos 4,20 reais nesta manhã

São Paulo – O Banco Central destacou o recente aumento das expectativas de inflação após ter havido certo progresso no processo de convergência, mas avaliou que a elevação ainda é de “pequena magnitude” em meio às percepções pioradas dos agentes econômicos sobre o balanço de risco e trajetória fiscal do país.

“Esses fatos constituem um claro e importante sinal sobre, de um lado, os progressos obtidos com a implementação da estratégia atual de política monetária, mas, de outro lado, sobre as consequências da deterioração no balanço de riscos”, disse a autoridade monetária em Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira.

No documento, o próprio BC piorou suas expectativas para a inflação em 2016, pelo cenário de referência, com alta do IPCA de 5,3 por cento, sobre 4,8 por cento no relatório de junho., distanciando do centro da meta –4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Esse cenário levou em conta a taxa de juros básicos de 14,25 por cento ao ano e dólar a 3,90 reais, já distante do atual patamar na casa dos 4,20 reais nesta manhã.

Os mercados estão turbulentos diante das preocupações com a capacidade de o Brasil efetivamente reequilibrar as contas públicas após a perda do selo de bom pagador pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

Para 2015, o BC elevou a perspectiva para a inflação a 9,5 por cento, contra 9,0 por cento anteriormente, vendo, por outro lado, alta do IPCA de 4,0 por cento no terceiro trimestre de 2017.

O BC reiterou ainda que o cenário de convergência para a inflação no fim de 2016 tem se mantido, “apesar de deterioração no balanço de riscos agravada recentemente pelos efeitos do rebaixamento da nota de crédito soberana”.

Neste contexto, repetiu que a manutenção da Selic no patamar atual de 14,25 por cento pelo período “suficientemente prolongado” é necessária para o objetivo perseguido, fazendo a ressalva que elevações de prêmios de riscos, com reflexo no preço de ativos, exigem que a política monetária “se mantenha vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação”.

O posicionamento já vinha sendo expresso pelo BC desde o fim de julho, o que fez boa parte do mercado acreditar que só mexeria nos juros no ano que vem –e para baixo– diante da esperada contribuição da fraqueza econômica para a diminuição da escalada de preços.

No Relatório de Inflação, o BC também ressaltou esse cenário de atividade mais adverso e passou a ver contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,7 por cento este ano, sobre queda de 1,1 por cento antes.

Já para o acumulado dos quatro trimestres até o segundo trimestre do ano que vem, a expectativa é de recuo de 2,2 por cento. O rebaixamento do país, afirmou o BC, piorou as expectativas de curto prazo e os custos a médio e longo prazos, aumentando os prêmios de riscos e tornando a recuperação da atividade e da confiança mais lenta.

Assim, a autoridade monetária defendeu os atuais ajustes fiscais para reverter esse quadro.