Bancos têm perspectiva negativa no país em 2015, diz Moody’s

O Brasil, a Argentina e a Bolívia mantêm condições mais frágeis e que minam possibilidades para o setor no ano que vem, segundo a agência

São Paulo – A perspectiva traçada pela agência de rating Moody’s para os bancos na América Latina é estável para 2015, mas a análise representa um contraste entre áreas com expectativas bastantes diversas.

Enquanto os países da costa do Pacífico apresentam crescimento econômico contínuo aliado a condições de financiamento e liquidez adequadas, o Brasil, a Argentina e a Bolívia mantêm condições mais frágeis e que minam possibilidades para o setor no ano que vem.

No Brasil especificamente, a Moody’s avalia negativamente as perspectivas para os bancos em 2015.

Segundo a agência, o país continuará a “sofrer com o baixo crescimento econômico e a inflação persistente”, mas o crescimento menor no crédito reduzirá as tensões sobre o financiamento e o capital próprio.

No entanto, com um maior alinhamento às regras de Basileia III, os bancos devem fortalecer suas resistências a problemas de liquidez e em ativos.

A desaceleração no crescimento da oferta de crédito não será exclusividade apenas do Brasil, e estará em níveis mais sustentáveis na região em 2015.

Isso, no entanto, irá se traduzir em menor geração de receitas e, em certos casos, trará à tona casos de concessão de crédito sem critérios muito rigorosos.

Segundo a Moody’s, esse processo desencadeará uma elevação na taxa de empréstimos não pagos no ano que vem.

Mas, para além dos efeitos de curto prazo, a Moody’s espera que a moderação na oferta de crédito reduza os riscos de qualidade de ativos no sistema bancário da região.

Na análise da agência de rating, a Colômbia apresentará cenário estável em 2015, em que os bancos se beneficiarão das condições macroeconômicas positivas, mas seguirão apresentando dados de capitalização relativamente baixos.

No México a perspectiva também é estável, com uma melhora no ambiente macroeconômico após a realização de reformas estruturais.

Devido à baixa intermediação financeira no país, os bancos terão espaço para crescer e a alta lucratividade do segmento garantirá que as instituições financeiras mantenham a capitalização adequada.

Por outro lado, a Argentina, como o Brasil, teve avaliação negativa no sistema bancário para o ano que vem.

O país também sofre com a deterioração das perspectivas econômicas, com baixo crescimento e alta inflação.

Além disso, espera-se que as políticas intervencionistas sigam atingindo o volume de atividade dos bancos e o desempenho do setor.