Bancos centrais de Brasil e EUA devem manter taxas de juros

Pressão por redução das taxas tanto aqui quanto lá fora ganham fôlego com a economia perdendo força em meio a preocupações com guerra comercial

Investidores estarão atentos à decisão dos bancos centrais no Brasil e nos Estados Unidos sobre as taxas de juros nos dois países. Tanto aqui quanto lá, a expectativa é de manutenção das taxas.

A piora dos indicadores econômicos tem reforçado as apostas de um ciclo de cortes na taxa básica de juros brasileira. Só que esse movimento – conhecido como afrouxamento monetário – só deverá ter início em setembro, de acordo com economistas consultados pelo Banco Central. Os especialistas esperam, portanto, que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa inalterada na reunião desta quarta-feira (19), em 6,5% ao ano.

Serão três cortes de 0,25 ponto percentual até que a Selic chegue a 5,75%, em dezembro, segundo o levantamento do Banco Central. “O BC está sendo pressionado pelo mercado para dar este corte. Na minha opinião o melhor seria deixar a taxa como está e simplesmente não subir o ano que vem”, afirma André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton. “Há muito mais em jogo nesse Copom que o eventual corte na reunião de julho.”

Por isso, será essencial ficar atento ao comunicado enviado juntamente com a decisão de juros do Copom e à divulgação da ata na semana que vem. O anúncio do Comitê de Política Monetária será feito após o fechamento dos mercados, o que posterga seus efeitos para a sexta-feira depois do feriado.

Lá fora, a expectativa é de que o banco central americano (Federal Reserve) também mantenha a taxa de juros inalterada na reunião desta quarta. O anúncio será feito por volta das 15h. A pressão nos Estados Unidos por juros menores não vem só do mercado e, sim, do próprio presidente Donald Trump.

Por isso, assim como o seu par brasileiro, o Fed deve dar pistas de que vai reduzir a taxa de juros ainda neste ano. A taxa está atualmente definida em uma banda de 2,25% a 2,50%. Investidores apostam em dois cortes ainda este ano. Seria um estímulo para reaquecer a economia americana e apaziguar os efeitos da guerra comercial com a China. Juros menores nos EUA seria uma estímulo para a entrada de novos investimentos no Brasil. Se o país ajudar com seu dever de casa, tanto melhor.