Banco Central: só aumento da concorrência não melhoraria spread

Inadimplência, capacidade de recuperação de garantias e maior compartilhamento de informações são outras causas do spread alto

Brasília — O Banco Central indicou nesta segunda-feira que a redução do spread bancário não depende só do aumento da concorrência e da diminuição da concentração do setor no país, onde os cinco maiores bancos — Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander — respondem por mais de 80% do mercado.

Em novo box do Relatório de Economia Bancária, o BC utilizou um modelo para tentar auferir essa influência no crédito livre a empresas não financeiras em três modalidades: capital de giro, desconto de recebíveis e veículos.

“As estimativas apresentadas indicam que as diferenças entre o grau de poder de mercado das instituições com maior poder e o das instituições com baixo poder explicam apenas 7,3% do spread médio da amostra (ou 1,84 ponto), de 25,3 pontos percentuais”, disse o BC.

“Assim, apesar do ambiente competitivo ser uma fonte relevante para a determinação do spread, um aumento do grau de concorrência sozinho provavelmente não será capaz de promover uma queda expressiva nos spreads sem o tratamento de outros fatores, tais como inadimplência, capacidade de recuperação de garantias e maior compartilhamento de informações”, acrescentou.

O estudo não trouxe informações sobre a concentração bancária no país em 2018. Esses dados devem ser reavaliados pelo BC na terça-feira, junto com o relatório propriamente dito, que ainda não foi divulgado.

No mesmo relatório do ano passado, o BC apontou que as cinco maiores instituições financeiras do país responderam por 82,8% dos ativos totais no segmento bancário comercial em 2017.

Em outro box do relatório divulgado na semana passada, o BC apontou que a inadimplência é o principal componente do spread bancário e que, para baixar o spread, há necessidade de melhorar o processo de recuperação de garantias no sistema financeiro.