Audiência discute liberação de veículos leves a diesel

Audiência reuniu representantes do setor automobilístico para debater o Projeto 1.013, de 2011, que trata da fabricação e venda de carros leves movidos a diesel

Os carros leves movidos a diesel, com fabricação atualmente proibida no Brasil, produzem 25% a menos de dióxido de carbono [CO²], porém são mais caros e a indústria automobilística brasileira, além de não ter investimentos nesta tecnologia, já investe no etanol, que também consome menos CO² que a gasolina.

Essas foram algumas das argumentações apresentadas em uma audiência pública hoje (28) na Câmara dos Deputados que reuniu representantes do setor automobilístico para debater o Projeto de Lei 1.013, de 2011, que trata da fabricação e venda de carros leves movidos a diesel no Brasil.

Este tipo de automóvel está proibido desde 1976, quando o país enfrentou uma crise de petróleo e determinou que só poderiam ser fabricados e vendidos veículos a diesel com carga transportável superior a 1 tonelada.

Mario Massagardi, presidente da Aliança Pró-Veículos Diesel (Aprove Diesel), formada por empresas do setor de auto peças e sistemistas de tecnologia, diz que não existem justificativas para a proibição desse tipo de veículo no país.

Massagardi disse que em 2014 foram vendidos 10 milhões de carros a diesel no mundo e que, só na Europa, esse tipo de carro corresponde a 53% dos veículos vendidos no último ano. “O consumo de um carro a gasolina médio gira em torno de 20 quilômetros por litro [km/l], enquanto o de um à diesel é 25km/l, ao mesmo tempo em que gera 25% a menos de CO²”.

Luiz Moan, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), reconheceu que a eficiência energética do diesel é superior a da gasolina, mas disse que o preço dos carros a diesel são, em média, 30% maiores. “Fizemos o calculo da diferença de preço. O consumidor leva de 12 a 18 anos para compensar o custo adicional.”

Segundo Moan, a Anfavea é contrária a liberação desses veículos no país. “Na Europa se usa o diesel principalmente para evitar a emissão do dióxido de carbono, mas aqui, no Brasil, já temos o etanol, que além de ser renovável, emite muito menos CO² que o óleo diesel. Outra questão é a da disponibilidade do diesel. Na matriz energética do Brasil, hoje não tem”, concluiu.

O diretor de Assuntos Governamentais da Volkswagen do Brasil, Antônio Megale, disse que  investir nesse tipo de motor requereria uma mudança radical nos rumos dos investimentos das empresas do setor, pois nos últimos anos, com incentivo do governo, as montadoras investiram grande volume de recursos no desenvolvimento de tecnologia nacional no etanol e nos carros modelo flex.

“Depende da posição do governo brasileiro sobre o tema. Temos convicção de que os veículos a diesel têm boa qualidade, mas o primeiro passo é o governo refletir sobre essa matriz energética e definir o que é melhor para o país, para o meio ambiente e para o acerto da balança comercial. Precisamos de visão a longo prazo para saber sobre a oferta de combustíveis no país”, disse.

Transporte público O deputado Sarney Filho (PV/MA) discorda da liberação dos carros a diesel e defende que o Brasil deveria estar discutindo a melhoria do transporte público e coletivo no país, e não pensando em promover o transporte individual, especialmente de veículos que usam combustíveis fósseis.

“Nós temos que investir em veículos elétricos e transporte de massa, é nisso que precisamos investir”, disse. Para ele não faz sentido o Brasil trazer para o país uma tecnologia que não é nacional e que exige mais consumo de combustíveis fosseis, pois o país já tem a tecnologia nacional do etanol e dos carros flex.

Sarney Filho também criticou os incentivos que o país deu nos últimos anos para o transporte individual e defende mais investimentos em mobilidade urbana. “Nós tivemos a isenção de IPI para montadoras durante vários anos, por exemplo, isso sem nenhuma exigência de contrapartida, apenas para baratear e dar acesso a esses veículos. Isso é bom por um lado, mas por outro lado é ruim. Não há nenhuma cidade com mais de 500 mil habitantes no Brasil que não tenha problemas de mobilidade urbana.”