Ata do Copom vê risco elevado para estabilidade global

Apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo

Brasília – A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, 5, repete praticamente na íntegra o parágrafo da ata anterior que trata da análise do setor externo, ao afirmar que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados.

Ou seja, apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo.

Entretanto, o Copom reafirma que “há avanços localizados nas economias maduras, não obstante permanecer limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos.

O Comitê ressalta que “em importantes economias emergentes, o ritmo de atividade não tem correspondido às expectativas, em que pese a resiliência da demanda doméstica”.

O Comitê destaca também as evidências de acomodação dos preços de commodities nos mercados internacionais, bem como de maior volatilidade e de tendência de apreciação do dólar dos Estados Unidos.”

EUA

A ata destaca que, nos EUA, os indicadores econômicos recentes permanecem positivos e que a taxa de desemprego recuou em julho, embora ainda esteja em nível elevado.


Também avalia que indicadores econômicos mais recentes para a região do euro apontam para a manutenção do crescimento no terceiro trimestre. O Comitê diz ainda que “a recuperação da economia mundial se mantém em ritmo moderado, ressaltando-se a aceleração nas economias avançadas.”

No parágrafo seguinte, o Copom afirma que “os mercados financeiros operaram sob intensa volatilidade, em meio às incertezas associadas à antecipação da redução dos estímulos monetários por parte do Federal Reserve (Fed)”.

A ata cita a elevação adicional nos rendimentos anuais dos títulos de dez anos do Tesouro dos EUA. “Nesse ambiente, o dólar valorizou-se em relação às moedas de economias emergentes, notadamente as de África do Sul, Brasil, Índia, Indonésia e Turquia; enquanto recuou na comparação com o euro, a libra esterlina e o iene.”

Petróleo

A ata destacou que o preço do barril de petróleo do tipo Brent apresentou aumento desde a última reunião, atingindo US$116, por causa de maiores riscos geopolíticos, e ressaltou

“Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco”, enfatizaram os diretores.

Desde a última reunião do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas decresceram 0,7% e os das metálicas aumentaram 6,6%, segundo a ata. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), variou -3,3% em doze meses até julho de 2013.