Copom repete que fará cortes na Selic com “parcimônia”

O Banco Central indicou, por outro lado, que a demanda interna do Brasil tende a se apresentar robusta

Brasília – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a afirmar que futuras reduções na Selic terão de ser feitas com “parcimônia”, mesmo com a recuperação econômica ocorrendo de maneira mais lenta.

“Mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia”, trouxe a ata do Copom publicada nesta quinta-feira.

Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,50 ponto percentual, levando-a para a nova mínima histórica de 8,0 por cento ao ano. Foi o oitavo corte seguido desde que o BC começou o processo de flexibilização monetária, em agosto passado, para estimular a cambaleante economia brasileira.

No documento desta quinta-feira, o BC informou que a recuperação da atividade econômica doméstica vem acontecendo de forma “bastante gradual”, mas que seu cenário principal indica um “ritmo de atividade mais intenso neste semestre”.

O BC indicou, por outro lado, que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta. “Especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulos, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito.” “A ata de hoje…deixa a porta aberta à possibilidade de mais cortes (na Selic), além de agosto”, afirmou o economista-chefe da Raymond James, Mauricio Rosal.

Última pesquisa Focus do BC, divulgada na segunda-feira, mostrou que o mercado espera mais um corte de 0,50 por cento na Selic em agosto, quando o Copom se reúne novamente, o que faria a taxa básica de juros do país encerrar o ano a 7,50 por cento.

Atingida pela crise externa, a atividade não tem mostrado sinais de recuperação, mesmo com os diversos incentivos dados pelo governo. O próprio BC piorou suas projeções para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de 3,5 para 2,5 por cento. O mercado é mais pessimista e calcula expansão de apenas 1,9 por cento para 2012.

Para o cenário externo, o BC informou que foram consolidadas as perspectivas de uma “atividade global mais moderada do que se antecipava”, mas pouco se alteraram as restrições expostas a economias maduras.


E acrescentou que “neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação…e a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária”.

Na ata, o Copom informa que a projeção de inflação para 2012 reduziu-se em relação à reunião do comitê de maio “e se encontra em torno do valor central da meta de 4,5 por cento (pelo IPCA)”, mesma perspectiva dada no documento anterior, publicado em junho.

Para 2013, o Copom salienta que a projeção para a inflação reduziu-se tanto no cenário de referência quanto no de mercado, mas ainda posicionam-se acima do centro da meta, também igual à ata anterior. O cenário de referência leva em consideração a taxa de câmbio de 2 dólares e a taxa Selic de 8,5 por cento ao ano.