Arrendamento de terra pode ser opção para estrangeiro, diz Rossi

Solução seria capaz de driblar restrições legais à venda de propriedades à empresas internacionais

Ribeirão Preto – O Brasil pode adotar uma política de arrendar terras agrícolas para estrangeiros, no que seria uma forma de driblar restrições legais à venda de propriedades para empresas do exterior e fomentar investimentos no setor, afirmou o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

No ano passado, estrangeiros que buscavam comprar grandes propriedades começaram a encontrar obstáculos legais, depois de o procurador-geral reinterpretar a lei em meio a preocupações de que investidores estrangeiros estariam especulando no mercado de terras.

Mas a presidente Dilma Rousseff, que assumiu o cargo em janeiro, busca agora formas de flexibilizar as restrições a investimentos estrangeiros no setor.

Rousseff, considerada por muitos mais pragmática que Luiz Inácio Lula da Silva, quer encorajar investimentos estrangeiros ao mesmo tempo em que toma medidas para evitar especulações.

“É importante que eles venham e façam esses investimentos”, afirmou o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, citando a indústria de papel e celulose como uma das que podem ser beneficiadas com novos investimentos.

O Brasil é o maior produtor de café, açúcar e suco de laranja e é o segundo produtor global de soja.

Embora as exportações agrícolas tenham impulsionado a economia brasileira, Rossi afirmou que a falta de capital estrangeiro tem privado o país de ganhar expertise, o que aumentaria a sua eficiência e competitividade.

As regras para compras de terras por estrangeiros ficaram mais rigorosas no ano passado após crescentes preocupações das autoridades com eventuais compras de fundos soberanos, particularmente do Oriente Médio, além do interesse da China em áreas brasileiras.


As mudanças não afetam vendas anteriores, e estrangeiros ainda podem deter entre 250 e 5 mil hectares, dependendo da região.

Pelo menos 15 bilhões de dólares em investimento estrangeiro em terras brasileiras foram suspensos desde a reinterpretação da lei, de acordo com analistas do setor.

Rossi citou a legislação da Austrália, que permite arrendamento por 99 anos, como exemplo de um sistema que o Brasil quer introduzir.

Os prazos podem ser próximos a 50 anos, mas detalhes ainda precisam ser trabalhados, segundo ele.

“O que não precisamos é de cessão de terras, mas de parcerias”, afirmou Rossi a um grupo de jornalistas estrangeiros, na tarde de sexta-feira, em sua casa no norte do Estado de São Paulo.

O governo também busca estabelecer uma comissão interministerial para estudar compras de terras por estrangeiros caso a caso, para determinar se os negócios seriam benéficos ao Brasil.

“Se isso é aprovado, não haverá um problema. Você vai em frente e compra a sua terra”, disse ele, acrescentando que o procurador-geral está estudando opções legais junto com outros ministérios e irá recomendar uma posição do governo.

Rossi disse que se o caminho do arrendamento for escolhido, ele poderia ser introduzido o mais breve possível neste ano.

Etanol e plano safra

Falando dos planos para o setor de açúcar e etanol, Rossi afirmou que o governo considera reservar empréstimos ao setor somente para a abertura de usinas que produzam exclusivamente etanol.


O crescimento da indústria de etanol do Brasil perdeu força desde a crise global, e a produção tem falhado em atender a demanda em meio à crescente frota flex.

“Planejamos fazer isso para dar recursos para unidades de etanol e não para açúcar. É uma estratégia. Agora mesmo, devemos melhorar a nossa produção de etanol”, disse Rossi, embora ele tenha acrescentado que não há nada decidido ainda.

O banco de desenvolvimento do Brasil, o BNDES, tem sido um grande financiador de companhias do setor nos últimos anos.

Tão grande é a preocupação com a volatilidade de preço do etanol que o governo tem buscado uma maior regulação no setor.

Sobre o próximo Plano Safra, Rossi afirmou que ele deverá estar pronto em junho e que a tendência é de crescimento do valor total que ficou em 100 bilhões de reais para a agricultura empresarial em 2010/11.

“Ainda não há decisão… Ficará um pouco maior que o do ano passado, mas não muito. Será suficiente”, afirmou.