Argentina tem que se livrar de uma dívida que a asfixia, diz ministro

Missão do Fundo Monetário Internacional chegou nesta quarta-feira à Argentina para definir a reestruturação da dívida do país

São Paulo — O ministro da economia da Argentina, Martín Guzmán, disse nesta quarta-feira, 12, em audiência no Congresso, que é preciso “tirar de cima do país uma dívida que o asfixia” e que a palavra que vai ditar o plano macroeconômico do atual governo é “sustentabilidade”.

“Não vamos permitir que fundos estrangeiros ditem nossa pauta macroeconômica”, declarou Guzmán, tirando aplausos dos parlamentares que escutavam as falas do ministro sobre a dívida do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI). “Não há pior alternativa do que austeridade fiscal em uma recessão”, acrescentou.

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Durante a apresentação do plano fiscal do governo de Alberto Fernández, o ministro da Economia disse que uma “condição absolutamente necessária para romper a dinâmica da recessão que se aprofunda na Argentina é se livrar de uma dívida que não se pode pagar” e que para “virar a página”, disse Guzmán, “temos que assumir compromissos que podemos cumprir”. O ministro afirmou, no entanto, que a negociação com o FMI segue em “crescente entendimento mútuo”.

Em mais de uma hora de discurso, Guzmán enfatizou a necessidade de alterar as condições de negociação com o FMI, que foram firmadas pelo ex-presidente Mauricio Macri, em um empréstimo de US$ 57 bilhões.

Segundo ele, o governo Fernández pretende alcançar uma solução sustentável que permita “crescer e manter esse crescimento”.

Segundo o ministro, o FMI também é responsável pela crise que a Argentina enfrentou e enfrenta ainda hoje. “Muitas vezes perguntam se a Argentina vai oferecer uma oferta amigável ou agressiva. O enfoque não é este. O enfoque é uma oferta sustentável”, afirmou Guzmán, acrescentando que o país “vai testar a arquitetura financeira internacional”.

Uma missão do Fundo Monetário Internacional chegou nesta quarta-feira à Argentina para definir a reestruturação da dívida do país, como pretende o presidente Alberto Fernández, peronista de centro esquerda que está há dois meses no poder.