Argentina pagará dívida quando voltar a crescer, diz Alberto Fernández

Argentina tem uma dívida pública de US$ 314,3 milhões, dos quais US$ 56,3 milhões são do empréstimo aprovado pelo FMI

Buenos Aires — O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, que tomará posse no dia 10 de dezembro, garantiu nesta quinta-feira que o governo passará a pagar a dívida pública que deixa o antecessor, Mauricio Macri, no dia em que o país, que está em recessão desde abril de 2018, retomar o crescimento.

“Vamos pagar no dia em que crescermos, tivermos produzindo mais e exportado mais e que tivermos conseguido os dólares com que tenhamos que pagar nossas dívidas. É assim que vai ser desta vez. Não vou me deixar convencer com nenhum canto da sereia, porque os cantos da sereia nos deixaram no fundo do mar”, afirmou o peronista, na conferência anual da União Industrial Argentina, em Buenos Aires.

Segundo dados do governo de Macri, o país acumula uma dívida pública total de US$ 314,3 milhões, dos quais, quase US$ 44 milhões correspondem ao empréstimo de US$ 56,3 milhões, aprovado no ano passado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Não vamos deixar que as obrigações externas, que são muitas, e que foram acordadas de forma delirante, porque eles pediram muito dinheiro para ser pago muito rapidamente. Não vamos deixar que essa realidade seja colocada na indústria, no emprego e gerar mais pobreza e desemprego”, disse o novo presidente.

Especulação financeira

Em um documento emitido pela Chefia de Gabinete de Macri, o atual governo garantiu que precisou pedir empréstimo por herdo um “êxito enorme” e foram deixadas muitas contas sem pagar da administração anterior.

“Dois de cada três dólares que contraímos de dívida foram para melhorar os prazos ou as condições de juros de dívidas velhas, ou para mudar os credores”, afirma o texto.

Para Fernández, no entanto, o mandato de Macri representou quatro anos de especulação financeira na Argentina.

“No mundo dos especuladores, muito poucos ganham, os que especulam e os melhores perdem, os que arriscam e trabalham, e essa é a pior sociedade”, disse o presidente eleito.

“Nem os bancos saíram favorecidos, porque os bancos deixaram de ser bancos, foram forçados a ser outra coisa. Quero bancos e banqueiros que trabalhem como banqueiros”, completou.

Ao defender o desenvolvimento da indústria nacional e as complexidades do mundo atual, o peronista afirmou que não pensa em deixar o país de “portas fechadas”, nem interromper as importações.

“Mas, que todos entendam que não vou trazer camisas da China, sapatos do Brasil ou bicicletas da Coreia do Sul, para que nossos produtores sigam quebrando. Isso não é fechar a economia, é ser inteligente”, concluiu Fernández.