Argentina: obstáculos com Brasil estão sendo resolvidos

''Os problemas entre Brasil e Argentina se resolvem com mais comércio'', disse Guillermo Moreno

São Paulo – O secretário de Comércio Interior argentino, Guillermo Moreno, disse nesta terça-feira que os obstáculos que dificultavam a troca comercial entre Brasil e Argentina estão sendo resolvidos e assegurou que há ”muitas décadas” a América Latina carece de voz no debate econômico mundial.

Moreno fez estas declarações durante uma visita à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acompanhado de uma delegação integrada por uma centena de empresários argentinos do setor dos componentes de automação.

O secretário detalhou que como foi estabelecido em um encontro similar realizado há alguns meses ”os problemas entre Brasil e Argentina se resolvem com mais comércio”, algo que, em sua opinião, foi ”cumprido”.

Moreno explicou que observa um clima de ”participação” entre empresários de ambos países e ressaltou que se o processo de troca comercial fosse realizado em ”moeda local” seria um ”avanço muito relevante tanto para o comércio brasileiro como para o comércio argentino”.

O secretário lamentou ainda que ”há muitas décadas a América Latina não opina, não participa do debate mundial em termos econômicos”.

Já o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, comentou que o objetivo e os esforços se centram em que a Argentina compre mais do Brasil e vice-versa.

O empresário manifestou que a Argentina faz parte do Mercosul e que se forem registrados desequilíbrios na balança comercial bilateral a solução não passa por vender menos produtos brasileiros, mas por comprar mais mercadoria argentina.

Skaf atribuiu ao ”desconhecimento” o fato de as companhias brasileiras não estarem adquirindo muitos produtos argentinos.

Além disso, destacou que neste momento há ”um diálogo bom” com as autoridades da Argentina e que não aceitará um ”desvio” nas importações de produtos brasileiros em favor de um terceiro país em igualdade de condições.

Sobre a possibilidade de realizar trocas comerciais em moeda local, o presidente da Fiesp disse que ”sem dúvida isso destravaria o comércio” entre ambas partes.

O setor dos componentes e acessórios de automação representa um terço das exportações brasileiras à Argentina, embora entre janeiro e agosto deste ano o Brasil tenha vendido 18% menos ao país vizinho.