Argentina e fundos especulativos voltam a se reunir em NY

Representantes da Argentina voltaram a se reunir com o mediador judicial do litígio com fundos especulativos que não aceitaram a reestruturação

Nova York – Representantes do governo argentino voltaram a se reunir nesta sexta-feira, em Nova York, com o mediador judicial do litígio com os fundos especulativos que não aceitaram a reestruturação.

O objetivo é chegar a uma saída negociada a menos de uma semana de uma possível moratória.

O encontro no escritório do mediador Dan Pollack em Manhattan é o quarto nas últimas semanas e durou cerca de uma hora. Na última quinta-feira houve uma reunião sem avanços, conforme constatou a AFP.

A comitiva argentina é integrada pela procuradora do Tesouro, Angelina Abbona; pelo secretário de Finanças, Pablo López; e pelo secretário de Assuntos Legais e Administrativos, Federico Thea.

O NML Capital e outros fundos especulativos têm uma sentença de Griesa a seu favor, ratificada pela Suprema Corte dos Estados Unidos, com um valor total de 1,33 bilhão de dólares pelos títulos da dívida soberana argentina declarada suspensa em 2001.

Griesa bloqueou no dia 27 de junho um depósito de 539 milhões de dólares da Argentina a um banco de Nova York para pagar uma parte de sua dívida reestruturada, exigindo que o pagamento simultâneo fosse feito aos litigantes.

Se este pagamento aos credores que aceitaram a renegociação não for efetuado até o final do prazo de carência, em 30 de julho, o país poderá entrar em moratória técnica, que é diferente do colapso vivido pelo país no fim de 2001 mas pode gerar consequências imprevisíveis para a economia argentina.

No momento, as discussões estão paralisadas pela exigência de garantias pelas duas partes e pela recusa da Argentina de negociar “cara a cara” com os demandantes.

Esses fundos, que Buenos Aires chama de “abutres”, compraram esses títulos já em default e depois litigaram na justiça americana, rejeitando a renegociação proposta pela Argentina em 2005 e 2010, com remunerações de até 70% sobre o valor nominal e que contou com o acordo de cerca de 92,4% dos credores.