Aprovação de Lula é pior que a de Fernando Henrique Cardoso

Com 32 meses de mandato, atual presidente tem avaliação inferior à de FHC no mesmo momento de sua gestão

Os escândalos políticos do mensalão o suposto pagamento de propinas a parlamentares em troca de votos e dos financiamentos irregulares de campanhas demoraram a atingir a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, agora que o desgaste de sua imagem é detectado pelas pesquisas de opinião pública, Lula chega às vésperas da corrida eleitoral de 2006 pior avaliado que seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, quando se preparava para concorrer à reeleição em 1998.

Segundo relatório da consultoria Tendências, em agosto, após 32 meses de governo, Lula tem uma taxa de aprovação pessoal de 46%. Já a avaliação positiva de seu governo (soma de “ótimos” e “bons”) é de 29%. Em agosto de 1997, também com o mesmo tempo na presidência, FHC apresentava desempenho superior, com taxas de 55% e 38%, respectivamente (se você é assinante, leia ainda reportagem de EXAME sobre o impacto da crise na imagem de Lula).

Outra diferença a favor do ex-presidente é a trajetória de sua popularidade. Ao contrário de Lula, que assumiu com altos índices de apoio e viu sua aprovação se deteriorar na segunda metade de seu mandato, FHC partiu de um patamar menor de apoio para iniciar uma trajetória ascendente no segundo semestre de 1997. O aumento de popularidade desembocou em sua reeleição já no primeiro turno, em outubro de 1998, com 53% dos votos válidos.

A receptividade a Lula, porém, parece caminhar em sentido oposto. Com a previsão de que a crise política ainda se desenrole até o final deste ano, o presidente não terá condições de conter seu desgaste. Para a Tendências, “mesmo que as curvas se estabilizem, muito dificilmente Lula poderia atingir os mesmos confortáveis patamares em que FHC se encontrava nos estágios equivalentes”. Assim, a menos que Lula obtenha um fôlego inesperado no curto prazo, a consultoria afirma que “sua trajetória de popularidade não autoriza o mesmo otimismo em relação às perspectivas eleitorais para um eventual segundo mandato”.