Aposentadoria de políticos é dúvida na reforma da Previdência

Equipe técnica quer incluir políticos nas regras mais rígidas para aposentadoria, mas Temer ainda não decidiu se vai bancar o desgaste

Brasília – A aposentadoria dos políticos é o ponto ainda em aberto no texto final da reforma da Previdência. A proposta elaborada pela equipe técnica inclui os parlamentares entre os que vão ter de seguir as regras mais rígidas para se aposentar, como idade mínima e tempo de contribuição mais longo.

No entanto, o presidente Michel Temer ainda não bateu o martelo se vale a pena manter essa proposta e comprar o desgaste político com o Congresso.

A dúvida no Planalto é que, ao tornar mais duras as regras de aposentadoria dos parlamentares, o governo compra uma briga exatamente com aqueles que precisam aprovar as mudanças. Por outro lado, seria uma sinalização muito ruim excluir da reforma deputados e senadores.

Mas Temer terá de resolver isso, assim como os últimos detalhes do projeto, rapidamente. A proposta será apresentada na segunda-feira, 5, às centrais sindicais e aos parlamentares da base aliada.

Já está certo que os militares das Forças Armadas ficarão fora do alcance das mudanças nas regras da aposentadorias. A expectativa no Palácio do Planalto é que a proposta poderá ser encaminhada na semana que vem ao Congresso.

Faltando só a votação em segundo turno no Senado da PEC do Teto, o governo considera importante sinalizar o cumprimento do compromisso de apresentar a reforma antes da apreciação final do texto que cria um limite para as despesas.

O entendimento é de que não pode haver vácuo entre as duas propostas, porque o funcionamento do teto depende do freio nos gastos com a Previdência.

A estratégia desenhada foi definir uma proposta robusta – de grande abrangência – que dê margem de gordura para negociação no Congresso. O texto final está com o presidente Temer, e o acesso é restrito a mais três pessoas.

A reforma que será enviada vai manter a espinha dorsal do que já foi anunciado pelo governo nos últimos meses, como a fixação de idade mínima de 65 anos para homens e mulheres e o aumento do tempo mínimo de contribuição de 15 anos para 25 anos (para receber a aposentadoria integral, serão necessários 50 anos de contribuição).

As novas regras valerão para os trabalhadores que tenham idade inferior a 50 anos, para homens, e 45 para mulheres e professores.

Para trabalhadores acima dessa idade, haverá um “pedágio” que aumentará em 50% o tempo restante para aposentadoria. As mudanças vão atingir trabalhadores da iniciativa privada e servidores do Executivo, Judiciário e Legislativo.

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A campanha publicitária do governo para esclarecer a proposta de reforma da Previdência destacará que, se não houver mudanças urgentes, o sistema vai quebrar.

Sob o slogan “Previdência. Reformar hoje para garantir o amanhã”, as peças começarão a ser veiculadas na TV, no rádio, nas redes sociais e na mídia impressa na próxima semana.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários

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  1. A SACADA DE TRUMP

    Obama pegou um país em forte recessão e vai entregar um EUA com taxa de crescimento de 3.2%, redução da taxa de desemprego de 10% para 4.6% (o sonho de todo presidente). Merecidamente, Obama sai com uma taxa de 54% de aprovação.

    Um recado para o Brasil pós Dilma. Essa façanha demorou 8 anos e nos primeiros meses do Obama, os EUA ainda perdeu quase um milhão de empregos.

    O lado negativo é a monstruosa dívida pública dos EUA, na casa dos 20 trilhões de dólares, suficiente para comprar todos os imóveis do país, e valor igual a toda a riqueza produzida no ano (PIB).

    Nessa semana, Trump deixou muitos de cabelo em pé quando reafirmou todos os compromissos de campanha, o que o mercado entende como aumento da dívida, mais inflação e juros.

    Trump declarou na ocasião que apenas com a guerra no oriente médio, os EUA gastou mais de seis trilhões de dólares, sem nenhum retorno para os americanos. Trump prometeu que os EUA vai deixar de ser a polícia do mundo e focar nos seus problemas internos. Também prometeu enxugar a gigantesca administração com corte de funcionários.

    Para financiar o ambicioso projeto de um trilhão em infraestrutura basta reduzir as despesas em 0.05% do PIB. Gordura para cortar tem de sobra, desde que enfrente interesses políticos de certos grupos. Ademais, vai reduzir os impostos de 35% para 10% para os americanos que repatriarem alguns trilhões de dólares no exterior. Enfim, Trump pode financiar sua agenda sem aumentar os gastos, se cortar o tamanho do Governo.

    Cerca de 35% dos americanos recebem algum tipo de bolsa família e existe apenas três trabalhando para cada aposentado! Trump faria uma revolução se investisse na requalificação e reintegração dessa multidão no mercado produtivo.

    Alguma semelhança dos EUA com o Brasil é mera coincidência. Se Temer fizer uma reforma ousada da previdência e reduzir o tamanho do Estado vai sobrar muito dinheiro para investimento.

    Temer deveria visitar Trump urgentemente e começar a traçar um tratado comercial ousado com os EUA. Os dois países não possui nenhum conflito político, militar ou econômico, a não ser a incompetência e falta de interesse dos burocratas dos dois lados.

    Gil Lúcio Almeida, PhD