Anfavea prevê 2º semestre melhor com manutenção do IPI

Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores também destacou que segundo semestre terá mais dias úteis

São Paulo – O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou que o segundo semestre será melhor do que os seis primeiros meses do ano e justificou a expectativa por conta da manutenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da sazonalidade histórica e do maior número de dias úteis.

“A manutenção do IPI foi fundamental para termos um semestre melhor”, afirmou.

“O retorno do IPI impactaria 11,5% nas vendas no segundo semestre. Caso o imposto retornasse a sua alíquota anterior, a queda nas vendas totais em 2014 ficaria em torno de 10%”, explicou.

Agora com a manutenção das alíquotas de IPI, a estimativa da entidade é que as vendas fechem 2014 com queda de 5,4% ante o ano passado.

“Para chegarmos a esse dado temos que crescer 14,3% no semestre”, explicou Moan. No início do ano, a expectativa da entidade era que em 2014 as vendas crescessem 1,1%, a projeção revista foi anunciada nesta segunda-feira, 07, pela Anfavea.

No último dia 30, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a manutenção da alíquota reduzida do IPI. Com isso, para carros com motor 1.0, o imposto continuou em 3%.

Já para veículos como motor flex até 2.0, a alíquota foi mantida em 9%. As alíquotas deveriam voltar ao normal no dia 1º de julho, mas foram prorrogadas até dezembro.

Moan afirmou ainda que, além da manutenção do IPI, o número de dias úteis também vai influenciar na busca por esse crescimento no semestre.

Segundo ele, enquanto os seis primeiros meses do ano tiveram 119 dias úteis, o segundo semestre terá 127 dias úteis. “O que significa oito dias a mais ou 7% de dias médios”, afirmou.

“Além disso, temos a sazonalidade natural, nos últimos dez anos tivemos um segundo semestre melhor”, ponderou.

Acordo com a Argentina

O presidente da Anfavea afirmou também que o acordo automotivo do Brasil com a Argentina, que entrou em vigor no dia 1º de julho, “é muito bom, pois prevê a integração produtiva”.

“Para exportar, eles terão que importar. E a grande vantagem do acordo é que fizemos a integração produtiva”, reforçou, destacando que o País deve fornecer bastante autopeças para o vizinho.

O acordo automotivo entre os dois países vai até junho de 2015 e a previsão é que, no período, ainda haja negociações.

A partir do meio do ano que vem, os dois países devem implementar novo regime bilateral, com ampliação do comércio e da política industrial comum no setor de autopeças e a garantia da segurança dos veículos.

O acordo reativa o sistema flex, que prevê que o Brasil poderá vender com isenção de impostos, no máximo US$ 1,5, para cada US$ 1 importado do país vizinho.

Moan comentou ainda a crise vivida pela Argentina por conta da batalha com fundos de hedge nos EUA.

No mês passado, Thomas Griesa, um juiz federal de Nova York, determinou o pagamento integral a fundos dos EUA que não aceitaram as propostas de reestruturação da dívida.

“Seremos um setor que sofrerá pouco impacto seja qual for o caminho da decisão norte-americana”, afirmou.