Alemanha está flexível em relação ao aumento da inflação

A aceitação de uma inflação maior na principal economia da Europa pode ajudar países periféricos do sul da Europa em dificuldade

Berlim – A inflação na Alemanha subiu acima da meta da zona do euro pelo 15o mês consecutivo em abril, mas tanto o governo como o banco central do país sinalizaram que irão tolerar preços mais altos desde que a inflação da região do euro continue sob controle.

Nesta sexta-feira, o Escritório Federal de Estatísticas revisou o aumento de abril dos preços ao consumidor para 2,1 por cento, acima do nível “próximo mas abaixo de dois por cento”, que o Banco Central Europeu (BCE) quer para a zona do euro.

Temores arraigados de inflação na Alemanha datam da década de 1920 e o Bundesbank (banco central do país) é internacionalmente conhecido por sua posição impiedosa sobre os preços.

No entanto, formuladores sêniores de política econômica enviaram sinais claros nos últimos dias de que estão dispostos a aceitar uma alta mais forte nos preços na Alemanha do que podiam estar no passado.

A aceitação de uma inflação maior na principal economia da Europa, como por exemplo através de acordos salariais mais altos, pode ajudar Estados periféricos do sul da Europa em dificuldade a aumentar a demanda por seus produtos e impulsionar a competitividade desses países em relação à Alemanha.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, apoiou no início desta semana aumentos salariais e disse em uma coletiva de imprensa em Berlim na quinta-feira que as taxas de inflação da Alemanha entre 2 e 3 por cento eram aceitáveis.

“Desde que estejamos … em um corredor entre 2 e 3 por cento, nós podemos não ficar abaixo de 2 por cento, mas nós estamos numa área que continua aceitável”, disse Schaeuble.

A inflação na zona do euro está atualmente em 2,6 por cento.