África se reúne para enfrentar gargalos

Má situação econômica é justificada por diversos fatores internos, que prejudicam o desenvolvimento de acordos locais, entre os próprios países

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (região sul) vai se reunir nesta sexta-feira, para discutir a urgente e necessária situação econômica do continente.

Líderes da Angola, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Malaui, Maurício, Moçambique, Namíbia, Seicheles, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue falarão sobre suas preocupações quanto à estagnação da região. A região africana espera crescer 2% este ano, 0,4% a mais do que em 2017. Além disso, as altas taxa de inflação não animam: 10,5% em 2016, e 9,4% em 2017. A causa da instabilidade econômica é, segundo os países, a queda no preço das commodities exportadas, como produtos agrícolas e minérios, nos últimos anos.

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A má situação econômica da região é justificada também por diversos fatores internos, que prejudicam o desenvolvimento de acordos locais, entre os próprios países. O alto nível burocrático das relações governamentais e uma má infraestrutura são alguns dos vilões apontados pelos próprios países, que tentaram, no ano passado, encontrar soluções para esses problemas.

Em março, 40 países africanos assinaram o acordo de Livre Comércio da África Continental. O acordo prevê a redução de 90% das tarifas comerciais. A ideia é que as trocas comerciais entre os países se fortaleçam, e que haja uma proteção maior da economia do continente. Segundo o jornal britânico Financial Times, o acordo e a nova reunião ocorrem em boa hora, uma vez que “é mais barato exportar remédios para Burkina Faso pela França do que pelo próprio país”.

Os números comprovam a afirmação. Segundo relatório do Banco Africano de Exportação e Importação (Afrexim), o comércio intercontinental mobilizou 170 bilhões de dólares em 2017, mas representou somente 15% de todas as trocas comerciais do continente. Se comparados com outros continentes, o a proporção é ainda mais chocante: 67% do comércio na União Europeia é interno, e 58% das trocas asiáticas são para a própria Ásia.

O acordo também prevê a discussão de questões como a desigualdade social, a pobreza e as altas taxas de desemprego da região.