Abertura de vagas nos EUA em setembro é menor que esperada

<I>Crescimento do emprego nos Estados Unidos fica aquém das projeções e fragiliza Bush em debate com Kerry sobre temas domésticos, hoje à noite</I>

O mercado de trabalho americano ganhou 96 mil novas vagas em setembro, abaixo das 128 mil abertas em agosto e bem menos do que as expectativas de analistas americanos, de criação de 148 mil novos postos de trabalho. O número foi divulgado, conforme assinala o jornal britânico Financial Times, horas antes do segundo debate entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos, o atual presidente George W. Bush e o senador democrata John Kerry. A eleição ocorre no dia 2 de novembro.

Com o resultado de setembro, a taxa de desemprego americana fica estável em 5,4%, um desempenho que reforça o cacife de Kerry em suas sistemáticas críticas à política econômica republicana. O encontro de hoje, aliás, foi concebido para discutir apenas assuntos domésticos, o que deve preocupar Bush (o primeiro debate foi quase todo dedicado à questão da guerra no Iraque e à luta contra o terrorismo) .

De acordo com as revisões estatísticas apresentadas hoje pelo Departamento de Trabalho americano, cerca de 585 mil empregos foram perdidos desde que Bush tomou posse, em janeiro de 2001.

Repercussões

Os números do emprego levaram o dólar à mais baixa cotação desde 6 de agosto frente ao iene, a moeda japonesa, e ao nível mais baixo em duas semanas em relação ao euro. Os dados são motivo de comemoração para os investidores brasileiros, pois o ritmo moderado de crescimento da economia americana desarma as pressões para que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, promova um aperto monetário mais agressivo. Uma alta dos juros nos Estados Unidos poderia reduzir a atratitividade de mercados emergentes, como o Brasil. Os mercados financeiros internacionais chegaram hoje a especular que o Fed não fará mais duas elevações de 0,25 ponto percentual cada até o final deste ano, mas apenas uma.